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Ederson Oliveira
nota sobre fotografar a natureza
Escrito por Ederson Oliveira

Quanto mais a civilização se desenvolve, menos nós nos sentimos pertencentes ao planeta em que habitamos. A distância entre o mundo natural e a humanidade cresce na mesma proporção em que as telas pelas quais vemos a vida aumentam. Conexão nos remete muito mais a redes de compartilhamento de internet do que ao pertencimento ao ciclo em que todos os seres vivos estão ligados. Curiosamente, o próprio desenvolvimento tecnológico me deu os maiores instrumentos de reconexão que eu já conheci: um sensor, um corpo e um conjunto de lentes.

 

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Anuro fotografado na Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeiras de Macacu (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

Fotografar a natureza é um exercício de dupla sensibilização. Eu me sinto imerso quando estou no meio da floresta, fazendo imagens, sendo só mais um animal isento da prepotência humana. Meus conceitos morais e valores construídos no convívio social não representam nada para a vida que me circunda ali. Ao mesmo tempo, tudo que é registrado serve para levar pílulas dessa sensação ao resto das pessoas. Cada registro é uma oportunidade de levar o meio da floresta pra quem não está lá.

 

 

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Vista do amanhecer no Pico do Papagaio, Ilha Grande (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

Uma foto pode lembrar a quem já esqueceu que existe um mundo onde a cor não é cinza, onde o julgamento não existe e onde o tempo não está com pressa. A imagem é, potencialmente, instrumento de sensibilização e convite para reconexão. Aquele velho clichê (e eu acredito no poder dos clichês) já dizia: a gente só protege o que conhece.

 

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Fungo fotografado na Reserva Biológica União, Casimiro de Abreu (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

 

Vamos fotografar?