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Ederson Oliveira
A vida é sobre não estar imune
Escrito por Ederson Oliveira
 
Ninguém está imune de, em uma quarta-feira nublada de dezembro, achar alguém que torne seus dias mais leves e cheios de borboletas (que a essa altura já saíram do estômago e estão voando por aí). Depois disso, a relatividade do tempo fica tão evidente quanto seu sorriso bobo lendo mensagens no meio da tarde. Horas, meu amigo, podem ser uma intragável eternidade e minutos podem durar um século inteiro. Ele, o tempo, só reflete a velocidade do que a gente está sentindo, ora congelado pálido e ora mais apressado que a luz. Uma vez eu li que as coisas mais legais acontecem quando a gente está distraído, sem procurar, sem grandes expectativas. E fazendo uma rápida retrospectiva é muito fácil perceber que o que a gente tem de mais valioso hoje vieram de encontros casuais, de lugares comuns, sem nada de premeditado ou esperado por semanas. A vida tem esse capricho, de dar quando a gente não espera receber. Então, não menospreze o poder das quartas-feiras nubladas de dezembro e muito menos da gentileza que o universo é capaz de prover...

Ninguém está imune, entretanto, de, em um sábado chuvoso de março, deixar ir alguém que já não estava de verdade há tempos. É a ampulheta do tempo virando, e a gente com ela. As tais borboletas já foram sobrevoar outros lugares e a chuva de fora não é nem um pouco comparável ao dilúvio de dentro. É como se aquilo que começou naquela tarde de dezembro não apenas tivesse apenas se iniciado naquele momento, mas tivesse começado a acabar a partir de lá. “A gente começa e já começa a terminar”, porque o universo tende ao caos e a gente não seria diferente.

Não duvide da imprevisibilidade dos dias despretensiosos, não ache que a gentilezas vão durar para sempre e, sobretudo, nunca pense que outras tantas ainda não virão. Porque a vida, amigo, é sobre não estar imune.