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Fernando Fantin Vono
Númem
Escrito por Fernando Fantin

Nascer é sair,
Ser expelido duma grande boceta,
Aconchegantemente, quente
Para um mundo frio e aterrorizante.
Deixar a vida de embrião estável
E se deparar logo de cara,
As mais variáveis sensações.
Chorar.

Nascer é querer sair,
Querer deixar o ninho, voar
Experimentar.
É abrir os olhos pela primeira vez
E ver sei lá que imensidão de coisas novas
É cortar o cordão que nutria
É imensidão
Chorar.

Nascer não se escolhe,
Se nasce e pronto
E num solavanco retumbante
Transpor o portal,
A grande vagina que aqueceu
O seu pai,
Por onde você entrou,
E que nu, ele e a sua mãe
Preparavam a massa e o fermento
E o forno e o gás

Nascer é nascer do barro
Cujo sopro divino que dá a alma
É o amor,
Mesmo que de um só dia.
E se o amor acaba
É chorar
Mas mesmo que acabe, o produto do amor fica,
na consistência mole,
Na vida precoce
No primeiro abrir de olhos
No nascer.

Nascer é, também,
Ser abandonado,
Ter consciência de sozinho
E mesmo que aterrorizado
Nascer é necessário
É a diferença do homem
Para o embrião,
Apenas um portal
Precisa-se sair,
Mas apetece-lhe voltar.

 

Por Fernando Fantin Vono

Originalmente em:
http://resistenciacotidiana.blogspot.com/2010/08/o-banho-da-ninfa.html