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Fernando Fantin Vono
Sinceramente Vida
Escrito por Fernando Fantin

Sinceramente
Sinto, terminações nervosas
Exageradamente postas ao exterior.
Empatia fadiga o coração,
Mas a dor no peito não cessa
Não sara, somente lesa.
Lesa o coração, lesa a vontade,
De repente, dá saudades
Da futura previsão.

Lápis na mão, peito exposto
Cicatriz de segunda intenção
O vermelho do meu peito
No céu hoje estava refletido
Nem bem vermelho era, mas
A cor mais bonita do mundo
Isso sim
Sinceramente.
 
O whisky na estante, a taça,
O disco, o perfume, o livro
O papel e a taça,
Tudo envelhece
E na estante permanece,
Coberto de poeira
Vestígios documentos, ora herança
Duma vida que se foi
Esvaiu-se, sinceramente.

Cá fico eu, espero,
Ansiosamente, a passagem do bloco
Pra animar a multidão
Carnavais possíveis,
Prováveis encontros,
Amores concretos
Com sortes imprevisíveis
Ainda cá estou,
Sinceramente,
Espero
Minha poeira, meu troféu.

 

Por Fernando Fantin Vono
Poesia publicada na Revista Asterisco, do PET-Letras da UNESP de Araraquara

Originalmente em:
http://resistenciacotidiana.blogspot.com/2010/08/sinceramente-vida.html