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Fernando Fantin Vono
Me encheste e partiu, de malas vazias? (a poesia do medo do adeus definitivo)
Escrito por Fernando Fantin
Sobra um resquício no canto ressequido
Do lábio partido por um beijo que,
Perdido, fora outrora
Um sinal qualquer a me lembrar
Da impossível felicidade
E não havia de durar
Sê humano devir, aceite
Fui rio que correu em sua vida
Te banhou e se esqueceu
Mas ficou em minhas águas todas
 
 
Correndo não sei pra onde vou
Lembro itinerante nossa alegria
Mas esse maldito gosto pela infelicidade
Essa ironia meticulosa
Mandando saudade vir
Eis você não passou de mim,
Mas e eu, passei pra você?
Queria saber por onde vai
Você que me tirava da rotina
Você quando eu observava
 
 
Te vi saindo com a mala vazia
Mais me assusta a sua felicidade
Mais me assusta você me ter esquecido
Na sua nova liberdade
Em que não estou incluído
E todas as suas possibilidades
 
 
Trancado, passam os dias
Que deveriam responder,
Mas preferem calar, sabe-se lá
A infelicidade mantém vivo
Prazerosamente triste, alimento do querer
Desejar o que se tinha
Antes do imperfeito pretérito
Que apunhalou nossos planos
 
 
Nós que parecíamos viver em um sonho
Nós que nos refugiamos na lua
Pra o sol não ver
Nós que não suportávamos o relógio
Chamando à realidade
Nós que éramos uma verdade
Nós que desdenhávamos de tudo
Que éramos o sonho do acordar
 
 
Como foi pra nós despertar?
Lembro-me de você de costas
Com as malas vazias, indo embora
De mim não levou nada?
Ou preferiu ignorar?
Me assusta não ter olhado para trás
Mais me assusta não voltar.
 
 
 
 
 

Poesia enviada para o CONCURSO MUNICIPAL DE POESIAS BRASIL PINHEIRO MACHADO – EDIÇÃO 2011. PONTA GROSSA - PR