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Fernando Fantin Vono
A festa dos ratos primaveris na pós-modernidade
Escrito por Fernando Fantin
Pequenos e presos, e um pouco perdidos
Encontramo-nos aqui, entre tantos
Outros lugares possíveis, outros cantos
Por entre utopias e sonhos partidos
Encaixamo-nos como podemos
Vendo passar o que perdemos
Seguimos nos sentindo tão sozinhos,
Num supra-sumo individualista
Não nos vemos encaixados em parte alguma
Mas não largamos mão do que nos movia
E o mesmo nos segue movendo,
Aparentemente sem rumo, itinerário
Seguimos sem sentido
Tantos homens e mulheres trabalhando para,
Tanto sangue derramado à toa,
Para nos construir fragmentados
Com pedaços de tantos sonhadores mortos
Para que vivessem algumas idéias
Que agora estão desfiguradas
Vagamente em nossa consciência
Somos o que sobrou do sonho
Mas somos, sobretudo, dele
O que o mantém vivo
Se o mundo todo segue dormindo
Nós seguimos sonhando acordados
Se o todo está acovardado
Nós clamamos por sangue
Seguimos sorrateiros, acocorados
Transformaram-nos em ratos,
E roedores, pomo-nos a roer
Infiltramo-nos despercebidos
E fazemos o que de melhor sabemos,
Contaminamos.
Um dia a cidade estará infestada,
Aí veremos, os ratos trazendo as flores
 
Por Fernando Fantin Vono