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Karina Harley
Guinevëre
Escrito por Harley

A neve caía incessantemente há mais de 8 horas. Já era fim de tarde e as pessoas que frequentavam a fria cidade de Nova Iorque começavam a ir para suas casas. O dia fora longo e pouco lucrativo para Guinevëre, uma artista de rua que vagava por diversas cidades e até países oferecendo sua arte. Desde sempre, a arte sempre fora a única que preenchera o vazio deixado por seu sofrido passado. Devido ao frio, os cidadãos nova-iorquinos não pararam para ouví-la, sendo assim, ela, seu violino e seu chapéu voltariam para casa apenas com o dinheiro da última refeição.

Com a esperança de que alguém a ouvisse, decide então tocar algo mais conhecido, como "Eine kleine Nachtmusik First Movement",  de Mozart, porém não obtêm muito sucesso, apenas duas ou três pessoas param para ouví-la.

Não tinha jeito, por mais que habitualmente a jovem tivesse uma quantidade numerosa de espectadores a qualquer hora - devido à sua habilidade e extrema sensibilidade musical - , excepcionalmente naquele dia ela não estava se sentindo muito bem, o que consequentemente afetara seu desempenho. O clima daquela tarde a contagiara com sua frieza, trazendo-a lembranças de sua história, lembranças que daria tudo para esquecer, mas que até então, nem o tempo fora capaz de apagar.

Ao concluir que não conseguiria muito mais do que fizera até ali, pega seu saco de pano que sempre carrega consigo e, abrindo-o, despeja todo o dinheiro que recebera em seu chapéu, um lindo chapéu preto que ganhara de seu avô. Após despejar as poucas moedas, guarda seu violino no interior do saco, o fecha com um laço vermelho e o leva até suas costas.

Conforme caminha, os flocos de neve caem suavemente sobre seu rosto, a garota já com os longos cabelos vermelhos cobertos de neve olha para o céu e fica a assistir o anoitecer, desejando, naquele momento, que o toque do gelo que lentamente caía do céu congelasse seu coração.

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@imharley