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Fernando Fantin Vono
Das Movimentações Humanas
Escrito por Fernando Fantin
Entre sete espaços proibidos
Seguindo à seco esperanças mórbidas
Moribundos rebentam sorrateiros
Trabalhando, trabalhando, trabalhando
Quando dá

Uma sucessão de episódios se deu
Qual foi o primeiro, qual o segundo
Vimos passar, por tanto tempo
Imigrantes da falta e do excesso
Caldo azedo que deixou rastro
Pela caminhada mal quisto
Atrapalhando planos de plantio
Foram-nos, ficando

Pouco importou a porta que ficou aberta
Não olha pra trás menino
Seu lugar aqui não é
E o nosso, onde será?
Seguimos este caminhão?
Por aqui ou acolá?

Construções se erguem infinitas
Cimentadas a suor barato
E saudades salgadas que o sol não queimou
E tanta, tanta, plantação e fome
Que não tá no mapa

Rejeitaram-nos lá, aqui com mais violência
Costumávamos cantar, se lembra? E agora?
Quiçá a alegria sempre promessa,
Mas também enganação

Não somos de canto algum,
não temos casa nem nação,
são só nomes, entretanto
somos, somos só ...
esquecimento em valas do trajeto
tanto melhor
que os trejeitos se condenam no concreto
na única concretude de mortes numericamente comunitárias
partilhando as únicas coisas que de graça são,