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Fernando Fantin Vono
Minha cidade subjetiva toda
Escrito por Fer

Aqui e ali, e ainda mais adiante,
Tudo em volta, em cada rua,
Uma familiaridade revive-se no trajeto
E todo um mundo esquecido
Remete uma memória antiga

A casa de madeira está caída,
Mas as pedras do asfalto quente
Parecem estar no exato canto
Eis um lugar alheio ao mundo
Como o devem ser outros tantos

Entretanto, a velhice se disfarça
Na correria das crianças da escola,
São tantas, onde vão parar todas elas,
Nas fábricas de sapatos?
Na tentativa de uma felicidade

Contudo a cidade permanece imune
Avessa à mudança,
sem vislumbre de esquecimento,
parada no tempo,
cheia de novidades fragmentadas
Vai-se e volta-se, esvai-se
Sem saber direito pra onde

Entre o conforto e o desespero
Permanece-se até quando dê,
Talvez para sempre,
Que isso é?
No ritmo caduco
De um ser lentamente,
De um afirmar-se é.

No jornal local, as mesmas cores
Sustentando qual uma muleta
A decrepta turma do sobrenome
Orgulhosa de seu herói aviador
Naufragando no tempo e espaço
Agarrada a um tripé na areia

Entretanto a vida é feita diariamente
Nos bairros que rodeiam,
Em conflitos de bares recentes,
A realidade é plural,
As mulheres parecem cansadas,
Mas são extremamente fortes

Natural parece o desencanto,
De um organizar-se a partir do meio
Que já não é mais centro,
Palco de trapezistas cansativos de pompa
E a cidade é tudo e é solitária
Contudo, se organizam-se um cem número
De ensaios de felicidade

É que lá moram gentes.


Por Fernando Fantin Vono