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Marisa Oliveira
Quem Corre é o Tempo
Escrito por Marisa in the Sky

Volta e meia me diz o vento...

Amanhã é segunda-feira, de novo. Falamos “de novo” com muita frequência. As pessoas inconscientemente pensam que é sempre a mesma segunda-feira. O mesmo dia 5. A mesma Semana Santa. 

O compasso pautado no tempo, tão confuso quanto músicas modernistas, com influências do romantismo, com cadências classicistas, oscila tanto que nem deveria tentar dar um gênero. Isso atrapalhou o andamento.

A técnica usada no tempo.. Pontilhismo, sfumato, o tempo pintado é impressionista, com mesclas da arte contemporânea, aquela que o sentido da sua existência quase sempre não faz sentido.

Velocidade para fotografar, não sabemos quantos segundos colocar no temporizador. Um segundo é cem séculos, cem séculos são dois anos-luz. Estou nascendo, fazendo aniversário de 5 anos, mudando de escola, conhecendo Minas Gerais, trabalhando, me formando na faculdade, dirigindo na estrada, andando no meio fio e morrendo. Tudo está acontecendo agora.

O tempo nos traça abstratos dentro dos esquemas de proporção. Acerta os acontecimentos na hora que nos parece errada. O tempo não nos possibilita esboço. O primeiro risco é definitivo. 

Esperamos ser longa-metragem, mas talvez tenhamos 3 ou 4 minutos apenas.. Fazemos cortes, fades, travellings e até mesmo pausas… mas não rebobina, não retrocede, não tem replay.

Dinheiro é uma coisa ótima que move o mundo. Não é a água, nem a energia, nem a fé, nem a massa. É o dinheiro. Nós escolhemos uma vida simples, varanda simples, carro simples, costumes simples. Nós estamos optando por, provavelmente, nunca viajar num iate ou comprar um relógio que possa matar a fome das crianças de alguma cidadezinha. Mas não compra tudo.

É por isso que vou embora, com planos de estar voltando sempre que der, por isso que vou tentar uma carreira de pouco espaço, por isso que vou fazer mais tatuagens, que vou viajar de motocicleta, que vou tentar ter um empreendimento ou mais, que vou conhecer qualquer vilarejo ou metrópole que apareça, por isso que vou continuar bebendo com meus amigos, comprando meus livros, meus anéis, meus adornos, passando tardes de domingo com a minha família, tapando os ouvidos, contornando as situações. Sim, vou gastar dinheiro com música. Vou jogar uma partida de xadrez com a morte. Rezar um salmo e apertar o gatilho. Fugir do sanatório e voltar para lá.

Não temos previsão, não temos data, ninguém marcou horário para nós. Não sabemos quando nosso tempo acaba. Mas quando acabar, temos que saber que não vai haver borracha para apagar os arrependimentos das coisas não feitas, não vai haver replay para escutar mais uma vez, nem vai dar para rebobinar e guardar na estante para qualquer outro dia. Não vai ter de novo. Quando for para acabar, não vai haver dinheiro, não vai haver fé, não vai haver injúria que impeça isso.

Amanhã é uma nova segunda-feira, e não segunda-feira de novo.
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Originalmente postado no quase nunca atualizado tumblr:
http://marisainthesky.tumblr.com/post/11257032348/quem-corre-e-o-tempo