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Dani Ribeiro
O bêbado
Escrito por Dani Ribeiro
Um vulto sai do nada
É a figura de um bêbado
Vestido como maltrapilho
Escuro em sua imundície.
 
O odor alastra por onde passa
O cheiro desagrada os cachorros
Como uma carniça viva
Que está pronta para o abate.
 
Seu andar tortuoso
E os olhos que se embaraçam
Buscam a linha reta
Que se desequilibra e engana.
 
Com as mãos, busca o apoio
Tocando no vazio
O bêbado cai anestesiado
E com dificuldade, levanta-se.
 
Continua em passos tortos
Para lá e para cá
Abanando as mãos
Abandonado no meio da rua.
 
De repente, a ladeira
Atraente, mas traiçoeira,
Ela convida-o a subir devagar:
"Venha alcançar o céu, querido."
 
O bêbado baba de felicidade
Seu hálito etílico vira perfume
A ladeira estende suas mãos
Para o destino do indigente.
 
Ele sobe, sorrindo
Ao levantar suas mãos
O bêbado desapoia da parede
E cai no chão, desacordado.
 
Com a cabeça no chão
O sangue escorre fresco
A noite encobre-o com seu frio
E no meio da rua, ele morre.
 
 
Dani R. F.