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Deni Mazur
Uma Carta de Marina
Escrito por Deni

Ela quer...
Um lugar em que as ruas sumissem, uma rua em que as pessoas sorrisem, um sorriso que a lágrima engolisse.
Sorrir docemente, para que os lábios em meia-lua, dissipassem a tristeza das estrelas em lágrimas cadentes. 
Agora ela sobe na colina mais alta e contempla sua via-láctea, não mais branca que seus dentes, e disputa entre as estrelas qual delas pulsa mais ardente e, de todos os pulsares, nenhuma palpita mais forte do que seu coração ao reviver o passado, tão presente nas linhas tortas desenhadas no tronco de uma árvore que na noite passada virou carvão.
Na lareira ardia não apenas as chamas que aqueciam seus pés, mas também as lembranças daquele dia em que o nome de uma lembrança em fogo se consumira e, na fumaça, subia.
Agora ela volta à colina, não para ver a via-láctea que em seu alvo colo, a noite, reflete no céu, mas para ler, abraçada pelo calor do sol que desponta, as poucas palavras que na última carta ficaram escritas. 

                                                                         "Encontrei outro amor..."

Como poderia ter a outro encontrado? Isso na mente de Marina significava nunca antes ter amado. E assim Marina foi, de encontro ao mar, de onde vira pela última vez seu amor partir para nunca mais voltar.