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Marisa Oliveira
Coisa de Quem é de Capricórnio
Escrito por marisa in the sky
A Porta Aberta - René Magritte

 

Dessa vez tentaremos diferente. Digamos que isso aqui é um diário. Quem sabe assim consigamos finalizar uma crônica. Já começamos de maneira esquisita porque não se consegue editar o texto com a formatação que se quer.

Acreditando em zodíaco ou não, o título vai cair bem com a intenção desse escrito. Não é por se ser necessariamente desse ou de outro signo, e sim por haver algumas poucas pessoas que inexplicavelmente se identificam entre si.

Engraçado nos vermos de fora pela primeira vez. Se ver sentado, escrevendo, com o cabelo amarrado, antes do banho. Quem vê não faz ideia sobre à quantas anda essa alma. Até a pessoa mais segura do mundo tem inseguranças. E qualquer coisa pode ser considerada um ponto fraco, ou seja, uma insegurança. Essa é uma das ideias que nos vem no fim do banho, por exemplo. Até então, estamos muito seguros sobre o que planejamos e sobre o modo de vida que escolhemos. Construímos nossos princípios, podemos ter opinião sobre qualquer assunto, desenvolvemos teorias através da matéria empírica que adquirimos, e por aí vai. Mas um momento no banho, uma volta na praça, um nada pode mudar as coisas de ângulo...

De repente, a gente diz alguma coisa que implicitamente mostra essa nossa insegurança, e as pessoas desacreditam, acham que é brincadeira, pois somos muito seguros, ora bolas. E aí perdemos a graça, pois não sabemos nos expressar direito se tratando de nós mesmos. E aí somos malucos por querermos nos encontrar numa carreira de cocaína com a Mia Wallace, ou quando queremos nos internar com a Susanna Kaysen, ou quando queremos ser John Malkovich. Faz um testezinho besta sobre que personagem seria, e poxa, você é o Forrest Gump. E você não sabe se fica feliz, afinal, é o Forrest!, ou se você fica triste, porque, poxa, o Forrest se fode muito...

Ainda assim, a peteca não cai, porque tentamos levantar quem está com a gente mesmo que estejamos ajoelhados... E ainda tem mais uma coisa: como fazer com que os outros entendam que isso não é necessariamente tristeza, e muito menos cocaína? O que é que acontece com as pessoas, que não sabem distinguir as coisas mais... que acham que perder cinquenta reais e não poder ir para um bar bacana no final de semana é muito grave... Não querendo apelar, mas tem gente que acha que “causará” com uma roupa que vai usar amanhã de noite, e enquanto isso, nós estamos num quarto com música achando que vamos perder o controle das coisas, e enquanto isso tem gente achando que a cura da sua doença vai chegar antes da sua morte, e et cetera... 

Por essas e outras, para nós, é difícil aceitar a diferença entre os seres humanos... Todos nós temos um cérebro e um coração. Mas as pessoas usam seus corações apenas para bombear sangue pelo corpo, que está apenas obedecendo algumas coordenadas sem grande relevância de um cérebro alienado...  As pessoas nem querem igualdade mais. As pessoas querem trocar mediocridades em mesa de bar cult de preço caro, e não mais trocar ideias ou experiências.... As pessoas gostam de algo que não conseguimos valorizar, sequer nomear. E algumas ousam ainda reclamar do nosso fumo ou de nossa boemia, da falta que não sentimos da TV ou das esquisitices que chamamos de Arte.

O que acontece com as pessoas? Ou então, o que acontece com a gente que é de capricórnio, ou que é de esquerda, ou que é de humanas?