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Ederson Oliveira
Porque o mundo pode ser bonito.
Escrito por Ederson Oliveira

arpoador

Foi a primeira vez que se sentia bem, em meses. Bem a ponto de não sentir as horas passarem. Outrora? Até os segundos se arrastavam. Era uma liberdade sem a vigília que a tornava inútil. Era a efêmera, mas intensa, sensação de que a vida é bonita e prazerosa nos detalhes. Que as coisas bobas e que não se tornam nossas com dinheiro são as que fazem a diferença. Era a segunda vez ali, como se a paz do mundo todo se concentrasse naquele lugar. Catarse, no pôr-do-sol. Quando a prestação não importava, o trabalho era bobagem, a briga com a mulher não fazia sentido. Apenas olhar e esperar virar noite. Como é possível se sentir tão à vontade onde sequer é conhecido pelo tio da padaria¿ Onde nem mesmo existe um caminho que faça todos os dias? Não existe explicação. Existe apenas o fato: Se a felicidade existe e não é uma utopia, estaria ali.

A partir dali, soube o que escrever nas dedicatórias dos livros que acaso desse: “Que saiba fazer do quintal da sua casa ou do resto do mundo, o seu lugar. E que lá tenha o pôr-do-sol mais bonito para dividir com quem ama. E que leia este livro lá. Abraços.”

(Escrito ao som de Cazuza - http://www.youtube.com/watch?v=6K3oWkpPfHA - Foto: Pedra do Arpoador).