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Ederson Oliveira
A carta que eu deveria ter mandado.
Escrito por Ederson Oliveira

carta
Eu gosto de você. Na verdade, a amo. E, mesmo sabendo do imediatismo do que a gente sente, tenho certeza que vai se tornar a minha maior referência emocional da vida. Aquela que vou lembrar quando estiver velho o suficiente para sentar ao pôr-do-sol e ter mais coisas para lembrar que o tempo da lua chegar.
Se você se afasta, cada distração é bem-vinda. São elas que fazem a minha mente (ou coração?) visitar outras terras e esquecer o quão isso me deixa apreensivo. Mas, fazer isso é te tirar por alguns momentos de mim. Não quero! É um tiro no pé  ir aos lugares mais bonitos desta cidade se lá sempre penso que deveria estar junto. Se eu me afasto é por não ter certeza das coisas. A falta de certeza me faz precisar que me dê a mão e me tire da inércia que vem junto. E é um afastamento ridículo. Se penso, não está longe de verdade.
Quando fico irritado com seus amigos, não é por não gostar deles. Como não iria gostar de quem te faz bem? É só medo. Medo de ser subtituido, de que alguém mais legal/cool/divertido me empurre da sua vida. Sou corajoso o suficiente para dizer que sou medroso. Esse sentimento me assombra todo o tempo, e faço besteira.
Lembro exatamente quando a vi pela primeira vez. Eu, o garoto do interior, distraido e fazendo de tudo para não ser notado. Você, a (que tentava parecer) confiante. Só não imaginei o que viria. Que bom que veio.
Talvez leia isso e ria disso tudo, me ache um bobo mesmo. Talvez perceba o quanto esta pieguisse é honesta. Talvez me ame e fique. Talvez me ame e vá. Talvez não.

Talvez eu tenha coragem de mandar esta carta.