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Marisa Oliveira
Das Escolhas
Escrito por marisa in the sky

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As Duas Fridas - Frida Kahlo

 

É como um rapaz de alma boa, do tipo que empresta neblina, me disse esses dias: "para vocês, eu sempre vou estar bem". Mas pude ver em seus olhos algumas cervejas e mágoas. Mas estavam misturadas com sorriso e chuva.

Compreendi porque sempre fiz o mesmo, pois confiança não se encontra em qualquer esquina, não é pra qualquer pessoa que se empresta neblina, isso faz parte de uma escolha. Além disso, sempre acreditei que evoluímos ao falar mais coisas boas do que ruins, ao escutar mais os problemas alheios do que falar dos nossos e ao aprender a resolver as próprias dificuldades. É claro que em algum momento, se precisa de alguém. Mas na maioria das vezes, os elementos curativos estão dentro de nós mesmos. Então, sim! tudo bem.

 Alguns podem achar que é hipocrisia, outros chamam de egoísmo, outros ainda dirão que são máscaras, mas não. Esse rapaz de alma boa, ele não usa máscara nenhuma. Conheci ele há certo tempo, já tocamos algumas músicas juntos, nos encontramos ocasionalmente em festas e idas ao parque ecológico, mas só fomos devidamente apresentados no começo do ano. Mas, pra mim, sempre o conheci, mesmo não sabendo seu nome até então. Porque a gente enxerga claramente o que ele é, porque ele é, e não tenta ser. O que ele busca, faz parte de uma construção, da qual ele já tem os alicerces e estruturas.

 Nada mais lamentável do que alguém que pergunta trivialmente a uma pessoa como ela está, e esta conta. Gente que gosta de contar quantos tipos de remédio toma por dia. Gente que acha a mãe injusta. Gente que acha que dá demais e recebe de menos. Gente que tem medo de olhar para fora, prefere o próprio umbigo. Tudo gente que não entende que pelo menos houve remédios para amenizar, que houve mãe para gerar, que se pôde dar sem fazer falta, que os olhos combinados com discernimento são o que respondem a maioria do que perguntamos dentro de nós.

Mais lamentável ainda é gente que conhecemos há tempos, mas que, por um motivo ou por outro, não conhece a gente direito. E acreditam ter o direito de saber de nós. E de palpitar. E de estar por dentro. E de dar conselhos não pedidos, que sempre são mais óbvios do que horóscopos ou livros de autoajuda.

Então, sim, tudo bem, pois o que não está, há de ficar. Porque quem realmente sabe do que acontece, pergunta sim, mas compreende independente da resposta ser exata ou não. O que difere é que este compreende com os olhos, com energia, com coração. Este é do tipo que empresta a neblina, presenteia com pôr-do-sol, compartilha histórias e estórias especiais. E, de quebra, deixa tudo bem com abraço e música. Não dá conselho, dá abraço, beijo, e coloca a alma perto, de tal maneira que sentimos que está do nosso lado. 

Então, sim, tudo bem. Porque quando não era, a cura sempre veio, por meio de abraços de almas compatíveis.