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Ramon Bernardo
Almas e Mutualismo
Escrito por Ramon Bernardo

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A cada folha que rasgo, vai-se um pedaço de mim.
A cada cigarro fumado, fogo queimado em meus lábios, vai-se tragos do meu coração.
Coração que é de pedra.
Coração que é de restos, de carnificinas.
Decompositores se achegam ao órgão destruído, pouco vivo.
A cada música cantada, vai-se de mim, emoção.
Falo de mim, pois já não sei dizer sujeitos separados.
Falo de juntos, compormos um único eu.
E a cada eu falado, vai-se de mim um pouco de ti.
Já não existe mais você e eu.
Você e eu.
Uma mesma pessoa.
Um mesmo ser.