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Ramon Bernardo
Anatomia dos Desiludidos.
Escrito por Ramon Bernardo

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 O que há se não vísceras?
A carne seca, sina, rotina.
Os pensamentos de um amor que lhe cubra a casa de alegria
Desfaz-se em meio à melodia de um dia findo.
Oh, amados
Mais um dia. Dias e dias, sem amor, sem nem mesmo a dor de amar.
Os legistas encontraram algo em seus corpos secos.
O coração era de certo modo, parado, por estar cheio de vontade.
Os pulmões parado por anos.
O que havia de vontade no coração, faltava em atitudes no pulmão.
Nem mesmo os médicos mais experientes ousam dizer o que houve.
Circulam hipóteses, sobre a ilusão de suas vidas.
Vidas terrenas, ingratas.
Não se faz mais desiludido como antes. Hoje eles são desmascarados.
Qualquer um consegue ver pelo estudo de seu corpo, que foram vítimas de amor.
De amor, propriamente não. De amor desiludido. De amor desilusão.
Chega a dar dó. Chega a dar repulsa.
Desilusão primeira samba depois.
Somos ou não meros tolos no amor?
Precisamos sempre reviver, reatar, relembrar.
O que seria de nós, meros mortais sem a arte cognitiva da nostalgia.
Somo membros desajustados de um corpo sem cabeça.
Vira e mexe me pergunto: por que existem conceitos do tipo "amor"?
Deixa essa cultura e valores platônicos de lado,
E segue com o coração de carne, em carne viva.