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Afonso Sauniére
Saudade pós moderna
Escrito por Afonso Sauniére

Nessa incontestável era pós-moderna
de insetos rodeadores de luz,
quem sou eu quando páro
quando sarro o meu violão?
Quando a tropa maior que a de Roma
invade e saqueia mente pobre
em amargura doce e leve.
E bem que eu podia ter
uma máquina de escrever
pra expulsar assim de noite
esses poetas de computador.
Ou pelo menos expulsar uma menina
que metodicamente passa por aqui
sempre essa hora, sempre exclusiva.
E bem que eu podia assim de madrugada
rasgar o silêncio com as teclas de ferro,
fazer um chá pra tua inteira pessoa
e tomar sozinho, que nada é pra agora
e nada é tão racional como solidão.
E saudade é tanta,
é morna, é velha
é rouca, é bronca.
Tem jornada longa em sinapses tantas
que mistura cachaça com ácido clorídrico
E só tem uma ideia jogada no ar.
Talvez nem o pai da psicanálise
nem doutor, nem filósofo,
nem o mestre da mente
cure a moléstia de estar só assim
como louco desvairado
em estado alavancado
de uma rosa sem jardim.
Nem se mistura palavras
em potes de leite em pó,
nem se mistura paixão
em noites de lua só.
É decreto, portanto,
que em meio à tanta saudade
jogue tudo em datilografia.
Pois antes tarde do que nunca.
Antes arte do que eu