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Ramon Bernardo
"Lágrimas, bebidas e calendários"
Escrito por Ramon Bernardo
 
Tenho chorado em segredo. Tudo é tão desconexo agora.
Eu te amo, ainda. Eu acho que te amo.
Nunca tive medo dos dias como eu tenho hoje. Você me deixou meio que sangrando sobre os meses. Mas, meses limpos surgiram.
Eu dancei violentamente sobre nossas memórias, sem apagá-las. Eu só queria sujar tudo que restou de nós.
E agora o inevitável foi sacralizar a maldita sexta. O calendário já sabe. Meu corpo já sabe. A sexta sagrada das memórias, choro e bebidas fortes chegou.
E quando eu chego sóbrio ao meio da noite. Quando fico acordado na madrugado, me pergunto se isso é o futuro. Se isso vai se estender até meu corpo não suportar uma sexta se quer.
Eu vou me derreter no meio do etílico. Vou me rasgar em sangue, em meio a tantas cartas. Cartas que ninguém vai ler. Ninguém quer ler. Essa sexta se estende por anos emocionais. E todas as lágrimas cansadas de se esconder, querem revelar quão fraco sou.
Não irei permitir. Nem que toda bebida do mundo, as mais fortes, acabem. Eu vou encontrar outra maneira de burlar esse calendário. Eu vou encontrar outro dia da semana. Só não posso encontrar outro motivo.
Foi você, é você e vai ser você.
 
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