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Afonso Sauniére
Cicatriz
Escrito por Afonso Sauniére

Minha tristeza é muito cega
pra se libertar assim.
É difusa em garrafas cheias.
E mais ainda o estrago
que eu fiz derramando lágrimas
dos teus doces olhos acesos.
E me dói ter errado assim
contra teu seio prestativo.
Mas tanto lamentei ter destoado
e tanto que te vejo paciente
que mais ainda move meus pés.
Os pés que te seguem e que
às vezes, ainda desviam da reta.
Há, no entanto, também certezas na vida
que movem moinhos dentro da cabeça.
As certezas que me trazem os afetos
e que tranquilizam meus nervos.
A certeza de que aí dentro cicatriza
e até desaparece a mágoa que eu deixei.
Certeza da tua mão segurando a minha
em cada instante maldito e taciturno
que eu ainda estiver saindo da estrada.
De como me faz querer ser melhor
até nas noites mais sombrias
dessa cidade desordeira.
A certeza da paz que tive
vendo tua afabilidade
nos instantes, nas estantes
e até estandartes deviam ostentar
tanto que tu é e sabe ser.
E de tanto que aprendi,
vi que teu peito é como asa de borboleta.
Às vezes, a gente machuca sem querer.