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Afonso Sauniére
Ana
Escrito por Afonso Sauniére

Ana gostava de preto.
Com um lenço enxugava o pranto.
Já pronta pra o prato quente
Disse pra o meu primeiro espanto:
"A praia promete vida.
Vida paira em qualquer canto."
"Pronto", disse eu, "pensativa
em pormenores pra não dizer, portanto,
que o prazer em prosear
parecia nela um tanto
quanto prático que prezar
pela espera de algum manto."

Ana parava pra pedir
proteção num velho abrigo.
Prolongava a própria arte
pra não parecer castigo,
provando em paráfrases provisórias
pensamentos privativos.
Me disse Ana pressentindo
polegadas de perigo:
"O pensamento periódico
por hora é meu melhor amigo.
Portanto, prove a primavera
prover a paz de Deus comigo."

Parei pra falar: "Ana,
Deus não priva teu problema.
Pare a poesia pra pegar
pesado e se livrar do dilema.
Pense positivo e pule.
Passe por cima do teorema.
Pois pra prever a perversidade,
é preciso parecer paciente, morena."
Ana disse: "Pra mim não dá. Prefiro perecer
nas palavras precoces do meu lema."
Um dia por parques petrificados, Ana,
penetrante, padeceu da ponte e só deixou um poema.