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Deni Mazur
O Segundo Domingo de Maio


     E o começo de tudo é uma escuridão, uma insegurança, o que virá pela frente, o que virá de dentro de mim, o que virá dos outros? Agora não tem mais volta, tudo vai mudar nos próximos dias, ele está chegando, ou será ela? Nunca nos encontramos antes, estou com medo, também ansiosa, alegre e triste, mas acho que é disso que é feito o amor, de tudo isso, se o amor fosse um sentimento único ele seria facilmente entendido, mas essa mistura de sensações é o que faz do amor o amor.

    Cada dia me sinto mais insegura, menos preparada para o cargo, mas também cada dia mais eu o desejo, desejo esse título, vou vencer e tomá-lo para mim, sou merecedora dele, talvez as coisas não se saiam tão bem no futuro… Mas quem sabe do futuro?

    Será em breve, ele está chegando, ou será ela? Quem fará essa entrevista? Estou nervosa demais, mas lá vem, chegou! É ele, mas se quando crescer, ele, desejar ser ela, que assim seja, vou amá-lo, vou sim, mesmo que eu diga que não, meu coração não me deixará mentir, vou envolvê-lo nos meus braços quando chorar e quando rir, vamos crescer juntos, vou sempre tê-lo gravado na memória como um quarto azul, uma paz de lua de prata, será sempre meu “Rock And Roll Lullaby”.

    Não sei o que é ser mãe, não posso entender isso a fundo, acho que nem as mães mais experientes entendem… Como entender o amor? Ser mãe é amor, apenas isso, não importa o tipo ou a idade da mãe, todas são feitas de amor, o mundo pode fazer parecê-las feitas de alguma coisa ruim as vezes, mas é de amor que nós somos realmente feitas, o que no mundo além do amor nos faria gostar dessas coisinhas que nos torturaram por meses?

     Agora meu filho, me ouça bem, você vai errar, e errar muito, e errar feio, mas também vai acertar lindamente, várias flechas no meu coração, vários sustos na minha alma, vários beijos no meu rosto, me trará preocupações e calma, ah meu filho, minha linda gentinha, passei na entrevista, sou tua mãe, agora quero que me realize apenas um pedido, me perdoar, por te amar demais, por te querer sempre perto, por ser chata com seus erros, me perdoe, mas nada no mundo, falo sério, nada mesmo é tão precioso pra mim quanto você o é… Ouviu? Agora corre seu pestinha, corre brincar nessa roda viva que é existir.

     Lá vai ele, longe, e irá mais longe ainda conforme suas pernas cresçam, vai meu filho, vai ser feliz, sempre estarei aqui quando precisar voltar, vai meu eterno pequeno, foge com o sol pro horizonte, vou ficar como a lua correndo atrás de ti, brilhando apenas por você ser meu sol, cuidando pra que mesmo na escuridão da noite haja um brilho pra te guiar, sai logo daqui, não me veja chorar, você não entenderia que essa água de mar que corre dos olhos é alegria e não tristeza, corre daqui, sei que vai partir no próximo barco, mas que vai voltar, vai voltar quando eu fechar os olhos, vai voltar quando eu olhar suas fotos, quando eu entrar no seu quarto, quando o sol nascer, vai voltar sempre, mesmo sem nunca ter partido.

     É isso, um beijo na testa e vai logo antes que eu decida não te soltar dos meus braços, e não se esqueça, quando não conseguir dormir feche os olhos e procure pelo meu “Rock And Roll Lullaby”, boa viagem meu pequeno, o mundo é imenso, mas eu sou Mãe.

 

 
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Deni Mazur
Noite

Das horas incertas, as madrugadas desertas

de quando beijo a brisa fresca do céu sem luz,

da boemia infinita que se estende pelas estrelas,

 

da calada escura, velha companheira

dos compartilhamentos em segredo, os segredos da alma,

do medo, da coragem, da saudade, dos amigos de verdade,

 

as caminhadas na prata da lua,

das laranjas luzes das ruas,

noite eu te amo, amo sua frieza, seu calor e sua beleza

 

agora é noite, a manhã também será,

noite dure para sempre, na memória, no peito nunca deixe de existir,

faça-se noite a vida, pois é na noite que nos colocamos a sonhar.

 

 
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Deni Mazur
Sem Som, Apenas Alguma Fúria

Há um monstro, não... um demônio...
não... é algo maior, inominável,
me devora, me assusta, modifica meu estado
qual é o meu estado, Minas, São Paulo, Paraná?

Existe um estado para se estar?
Só queria a sanidade, parar de tremer...
parar com essa crise, financeira, existencial,
de pânico, de saudade, crise... 

Em todos meus estados, crise...
política, moral, social...
pessoal...
é crise, talvez seja isso, a inominável crise 

Você me entende?
Quem entende sabe...não dorme porque não dá...
a crise não deixa, os estados estão em nervos...
não dá pra relaxar 

O que nos inquieta tanto assim?
Um ato... talvez dois, talvez uma peça inteira...
atos impensados, ou seriam atos de cinema?
Teatro, armação, são atos, atos sem razão 

O próprio Shakespeare, em Macbeth dizia...
“A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada"
acho que ele entendia, ou melhor, sofria...
o ato da vida, o ato dos outros, que lembrava que o dele, de nada valia.
 

 
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Deni Mazur
Um Eu Que Agora é Nosso.

Adeus, até nunca mais,
ficou para trás aquilo tudo que nunca gostei em mim,
aquela angústia, a velha depressão,
os antigos medos...

A poeira de um fantasma
um retrato em sépia de um passado distante,
tudo para trás,
o futuro se desenha à minha frente...

Futuro, como raios de arco-íris,
rabiscado no céu,
contrastando entre as nuvens negras,
um sorriso marcado para baixo...

De cabeça para baixo no balanço eu posso ver,
ver o inverso do arco-íris, um sorriso pra cima,
um riso feito pelo refletir do sol nas gotículas de água,
luz branca, quebrada em todas as cores...

Agora é nosso o futuro, nosso, uma palavra de coletividade,
um indicativo de que há mais alguém,
de que agora não estou sozinho,
meu eu é todo teu...

Adeus, há Deus, há nós, 
há nosso, há você, agora tudo há de existir,
nossos filhos, sonhos, amores,
nosso, deveria ser esse o sinônimo de amor.
 

 
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Deni Mazur
O Segredo da Cólera

Cólera sf. 1. Impulso violento contra o que nos ofende, fere ou indigna; ira 2. Med. Doença infecciosa aguda, contagiosa, que pode ser epidêmica. 
Dic. Aurélio, 2ª ed. revista e ampliada, 1989.
 
     - Dicionário idiota, cólera está com definição errada, cólera é rasgar suas páginas, fazer sangrar suas palavras, te ouvir gritar os verbetes!
       O fogo de uma explosão, o estalar seco de uma arma, as rodas negras correndo no asfalto cinza, é  cólera, quando um raio rasga o céu, quando a unha rasga a pele, uma boca contra outra, é cólera, quando o tempo para em seco, marcando o fim do mecanismo.
        É cólera a dor da distância, o calor do sertão, matando o gado, o sertanejo, o arado, o desejo de mudar, de migrar, de voltar a não ter medo.
        Isso é cólera, é encher uma página toda, apenas para reescrever seu sentido, revelar seu segredo!

 
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Deni Mazur
Só Passado, sem presentes...

O Passado, sim ele,
Um compasso, como se desenhado na partitura
Um marca-passo, marcando no peito uma sutura
Apenas um traço, pintado em vermelho nas cinzas da memória 

O Passado, presente como só ele,
Ausente quando estamos precisando nos lembrar
Torturante como ferro em brasa quando queremos dele nos livrar
Sutil como uma brisa, fresca, mas que não para de soprar

O Passado, etéreo, não físico
Duro como concreto, como lápide num cemitério
Forte como uma corrente, amarando-se ao presente
Já foi uma pessoa, algumas vezes um momento importante
 
O Passado, indiscreto,
Invade o momento, torna-se novamente presente
Transtorna seu hospedeiro, maldito parasitinha
Algumas vezes nos faz rir, outras vezes destrói nosso dia.
 

 
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Deni Mazur
Escrevi

Antes do Sol cair, escrevi,
um livro
dez poemas
incontáveis frases.

Quando a Lua surgiu,
alguns infinitos pensamentos, escrevi,
que jamais serão impressos,
estão todos na lua grafados

Quem souber lê-los, através do véu de prata da Lua,
que sinta-se à vontade para usar,
meus versos,
minhas ideias, frases, fases, dramas. 

 
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Deni Mazur
Pin Duramos

Era um gigante, chamavam-no Pindorama, um dia ele sentou contemplando o horizonte, ficou parado durante anos, mexia-se apenas quando uma tempestade ou outra o incomodava. Os anos passaram, conforme as tribos ao redor daquele gigante mudavam, também mudava seu nome, recentemente Pindorama resolveu alongar-se, conseguiu chamar a atenção de alguns outros gigantes, maiores que ele por sinal, por conta dos movimentos inusitados algumas, dessas mudanças puderam ser vistas de longe.

No entanto algo em Pindorama não mudou, uma coisa que mesmo que desse para ver, não seria possível notar diferença, seu cérebro, na verdade até atrofiou um pouquinho, alguns pássaros que fizeram ninhos sobre a cabeça de Pindorama começaram a cobrir algumas partes do corpo do gigante, que por conta da falta de uso do cérebro, começaram a apodrecer, mas os outros seres alados que moram mais embaixo começaram a se incomodar com o mal cheiro daquilo, bateram as asas para que o cheiro se espalhasse e os outros gigantes percebessem que Pindorama já havia falecido há algum tempo.

Os pássaros superiores, temendo que sua morada fosse incendiada para evitar que doenças se propagassem, começaram com artifícios para enganar os vizinhos, dizendo que o mal-cheiro era culpa dos pássaros inferiores, e que deveria ser relevado, pois logo o cheiro sumiria.

Por hora essa mentira tem sido engolida, mas as ataduras já não se sustentam, o cérebro já cansado, e sem manutenção há muito tempo, entrou em crise, e o mal-cheiro não quer passar, os outros gigantes combinaram de visitar Pindorama dentro de alguns anos, veremos se até lá as ataduras se sustentam e o mal-cheiro consegue ser vedado, mas ao que tudo indica Pindorama será incinerado até não sobrarem nem os ossos de sua grandeza.
 

 
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Deni Mazur
Vapor No Fim Da Tarde

Primavera, sim, ela chegou
Foi fácil saber
O ar já não estava tão frio...
haviam borboletas na janela, lembra!? 

Umas gotinhas azuis brilhavam
no vitral, apenas a luz avermelhada passava 
Que belo pôr de sol, era a tarde enquadrada
na moldura de uma sombra, o desenho na parede se esticava.

Em um capricho do tempo, pareceram horas, foram segundos...
Do sol, apenas as nuvens rosodas restara 
Da lembrança da última chuva de inverno
desta, apenas um sabor de doce, na memória plainava.

 

 
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Deni Mazur
Elegia - 1938 (Vídeo Reflexivo)



 
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