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Fábio C.
Filmes Existenciais e Reflexivos
Escrito por Fábio C.


Para sempre Lilya

Diretor: Lukas Moodysson
Produção: Lars Jönsson
Roteiro: Lukas Moodysson
Duração: 109 min.
Ano: 2002
País: Suécia/ Dinamarca
Gênero: Drama

Sinopse: Lilya (Oksana Akinshina) tem 16 anos e vive em um subúrbio pobre, em algum lugar da antiga União Soviética. Sua mãe mudou-se para os Estados Unidos, com seu novo marido, e Lilya espera que ela lhe envie algum dinheiro. Após algum tempo sem receber notícias nem qualquer quantia dela, Lilya é obrigada a se mudar para um pequeno apartamento, que não possui luz nem aquecimento.

Desesperada, ela recebe o apoio de Volodya (Artyom Bogucharsky), um garoto de apenas 11 anos que de vez em quando dorme no sofá de Lilya. A situação muda quando Lilya se apaixona por Andrei (Pavel Ponomaryov), que a convida para iniciar uma nova vida na Suécia. Apesar da desconfiança de Volodya, Lilya aceita o convite e viaja com Andrei. Mas a história que se conta é a de uma adolescente que se vê abandonada pela família e pelos amigos, e que, devido a uma sequência de traições e de desilusões, cambaleia continuamente no caminho da felicidade. Para Lilya, a felicidade é fora dali, noutro lugar, noutro país. Se ali é o Inferno, sair dali só pode ser o Paraíso. Mas o Inferno pode ser em qualquer parte e isso cedo deixará de constituir uma surpresa, já que o filme arranca com a protagonista a correr pelas ruas, desesperada e visivelmente maltratada fisicamente, antes de partir para um flashback que nos vai apresentar o seu percurso até ali.

O filme mostra quem vive sentindo as dificuldades na pele, no dia-a-dia e pelos cidadãos ou poder político dos países economicamente estáveis, para os quais o problema se traduz em números (qual a capacidade de absorção e de integração no tecido social, etc.).



As Virgens Suicidas

Gênero: Drama
Duração: 97 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia: 12/05/2000
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Jeffrey Eugenides, Sofia Coppola
Distribuidora: Paramount Pictures
Censura: 14 Anos
Ano: 1999

Sinopse: Durante a década de 70, o filme enfoca os Lisbon, uma família saudável e próspera que vive num bairro de classe média de Michigan. O sr. Lisbon (James Woods) um professor de matemática e sua esposa uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região. Porém, quando Cecília (Hanna R. Hall), de apenas 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo a um crescente isolamento e superproteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes. Mas a proibição apenas atiça ainda mais as garotas a arranjarem meios de burlar as rígidas regras de sua mãe.



Réquiem para um Sonho


Direção: Darren Aronofsky
Duração: 102 minutos
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos da América
Ano: 2000

Sinopse: Uma visão frenética, perturbada e única sobre pessoas que vivem em desespero e ao mesmo tempo cheio de sonhos. Harry Goldfarb (Jared Leto) e Marion Silver (Jennifer Connelly) formam um casal apaixonado, que tem como sonho montar um pequeno negócio e viverem felizes para sempre. Porém, ambos são viciados em heroína, o que faz com que repetidamente Harry penhore a televisão de sua mãe (Ellen Burstyn), para conseguir dinheiro.

Já Sara, mãe de Harry, viciada em assistir programas de TV. Até que um dia recebe um convite para participar do seu show favorito, o “Tappy Tibbons Show”, que transmitido para todo o país. Para poder vestir seu vestido predileto, Sara começa a tomar pílulas de emagrecimento, receitadas por seu médico. Só que, aos poucos, Sara começa a tomar cada vez mais pílulas até se tornar uma viciada neste medicamento.



Luz de Inverno


Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Gênero: Drama
Origem: Suécia
Duração: 81 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 1963

Sinopse: Um dos representantes da importante Trilogia do Silêncio de Bergman, conheça a história do pescador que vai buscar ajuda de um pastor quando descobre que a China tem uma bomba atômica e pretende usá-la. Só que o pastor, também temendo a crise nuclear, passa por uma séria crise de fé e teme não poder ajudá-lo.



O Substituto

Diretor: Tony Kaye
Produção: Bingo Gubelmann, Benji Kohn, Carl Lund, Chris Papavasiliou, Greg Shapiro, Austin Stark
Roteiro: Carl Lund
Trilha Sonora: The Newton Brothers
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama

Sinopse: Henry Barthes é um professor brilhante com um verdadeiro talento para se conectar com seus alunos. Em outro mundo, ele seria um herói para sua comunidade. Mas, assombrado por um passado conturbado, ele escolhe ser professor substituto – nunca na mesma escola por mais que algumas semanas, nunca permanecendo tempo suficiente para formar qualquer relação com os alunos ou colegas. Uma profissão perfeita para alguém que busca se esconder ao ar livre. Quando uma nova missão o coloca numa decante escola pública, o isolado mundo de Henry é exposto por três mulheres que mudam a sua visão sobre a vida: uma estudante, uma professora e uma adolescente fugitiva.



Trinta Anos Essa Noite


Título Original: Le feu follet
País de Origem: França
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento: 1963
Direção: Louis Malle

Sinopse: São as últimas 48 horas de um homem totalmente perdido. Alain acaba de sair de um hospital onde fazia um tratamento para desintoxicação alcoólica. Sua amante e amiga de sua ex-mulher – que o abandonou – deseja ajudá-lo. Alain volta a Paris e, através dos bares e de velhos amigos, começa uma espécie de busca de si mesmo na reconstituição do passado. Ao final dessa peregrinação, Alain vai se preparar para a grande partida. Considerado por muitos como a obra prima do cineasta Louis Malle.



Na Natureza Selvagem


Diretor: Sean Penn
Roteiro: Jon Krakauer, Sean Penn
Duração: 140 min.
Ano: 2007
País: EUA
Gênero: Drama

Sinopse: Após concluir seu curso na Emory University, o brilhante aluno e atleta Christopher McCandless (Emile Hirsch) abre mão de tudo o que tem e de sua carreira promissora. O jovem doa todas as suas economias – cerca de US$ 24 mil – para caridade, coloca uma mochila nas costas e parte para o Alasca a fim de viver uma verdadeira aventura. Ao longo do caminho, Christopher depara-se com uma série de personagens que irão mudar sua vida para sempre.



Orações Para Bobby


Gênero: Biografia, Drama
Origem: Estados Unidos
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Katie Ford, Leroy Aarons
Ano: 2009

Sinopse: Mary (Sigourney Weaver) é uma religiosa que segue à risca todas as palavras da bíblia. Quando seu filho Bobby (Ryan Kelley) revela ser gay, ela imediatamente leva o filho para terapias e cultos religiosos com o intuito de “curá-lo”. Este é um filme baseado na história verídica de um jovem homossexual, que aos 20 anos suicida-se.

A sua mãe, “Mary Griffith”, interpretada por Sigourney Weaver, a senhora dos ELIEN, sabedora da sexualidade do filho acredita “curar” o filho com base na religião e terapias, para quatro anos depois (1979) Bobby lançar-se de uma ponte. Um filme intenso, dramático, e que espelha ainda hoje a realidade de muitos jovens no mundo. Originalmente feito para TV sendo exibido na noite que antecedia o Oscar, o filme é um dos fortes concorrentes aos prêmios de filmes para televisão. O filme conta com uma boa nota no IMDB.



As Horas


Dirigido por: Stephen Daldry
Gênero: Drama , Romance
Nacionalidade: Reino Unido , EUA
Ano: 2002.
Duração: 115 min

Sinopse: Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro Mrs. Dalloway. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1951 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com AIDS e morrendo.



Os Inocentes

Título Original: The Innocents
País de Origem: EUA
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento: 1961
Direção: Jack Clayton

Sinopse: Algo e estranho e sinistro estava acontecendo naquela casa, pensou senhora Giddens (Deborah Kerr), contratada para cuidar de Flora e Miles, dois irmãos que ficaram órfãos em circunstâncias misteriosas. Com o passar do tempo, Giddens acredita que existe alguma coisa escondida nas trevas da mansão, fazendo com que as crianças tenham um comportamento muito assustador. E a jovem governanta não sabe se terá forças para enfrentar esse perigo oculto na face de crianças inocentes demais para cometer algum mal. Será mesmo? Adaptação da obra de Henry James, “A Volta do Parafuso”.


 

Asas do desejo


Direção: Wim Wenders
Gênero: Drama
Origem: Alemanha
Duração: 127 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 1987

Sinopse: Na Berlim pós-guerra, dois anjos perabulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista, deseja se tornar um humano para experimentar as alegrias de cada dia.



As Harmonias de Werckmeister


Direção: Béla Tarr
Gênero: Drama
Origem: Hungria
Duração: 145 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 2000

Sinopse: János Valuska, um simples carteiro apaixonado por astronomia, vê sua cidade sofrer uma revolta depois da chegada de um circo e suas atrações: uma baleia gigante e um príncipe medonho com seus seguidores, pessoas simples das cidades vizinhas que ficaram seduzidas pelo seu discurso niilista contra a burguesia local.

Poucos diálogos sobre a vida, a morte e a filosofia. Principalmente, a beleza melancólica das imagens propositalmente em preto e branco.



O Cavalo de Turim


Direção: Béla Tarr

Gênero: Drama
Origem: Alemanha
Duração: 146 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 2011

Sinopse: Turim, 3 de Janeiro de 1889. O filósofo Friedrich Nietzsche sai de casa. Ali perto um camponês luta com a teimosia do seu cavalo, que se recusa a obedecer. O homem perde a paciência e começa a chicotear o animal. Nietzsche aproxima-se e tenta impedir a brutalidade dos golpes com o seu próprio corpo. Naquele momento perde os sentidos e é levado para casa onde permanece em silêncio por dois dias. A partir daquele trágico evento Nietzsche nunca mais recuperará a razão, ficando aos cuidados da sua mãe e irmãs até ao dia da sua morte, a 25 de Agosto de 1900. Partindo deste evento, o filme tenta recriar o percurso do camponês, da sua filha, do velho cavalo doente e a sua existência miserável.



Amadeus


Direção: Miloš Forman
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos da América
Duração: 160 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 1984

Sinopse: Amadeus é uma adaptação da peça sobre a vida de Mozart, o gênio da música. A história foca em Salieri (Abraham), músico contemporâneo de Mozart (Tom Hulce) que, ao mesmo tempo em que admira e inveja o talento do compositor, o despreza por seu comportamento grosseiro. Salieri se pergunta por que Deus deu tamanho talento a alguém tão vulgar, enquanto ele, esforçado e devoto, está tão aquém de tal genialidade.

A inveja torna Salieri um rival, disposto a usar sua influência na corte de Viena para sabotar Mozart. Não sendo o bastante, após tentar se suicidar, Salieri confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart e relata como conheceu, conviveu e passou a odiar Mozart, que era um jovem irreverente, mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus.



Melancolia


Direção: Lars Von Trier
Gênero: Drama
Origem: Dinamarca
Duração: 130 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 2011

Sinopse: O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire.



Donnie Darko


Direção: Richard Kelly (II)
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos da América
Duração: 113 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 2001

Sinopse: A história se desenrola em uma atmosfera sombria do fim dos anos 80, em uma pequena cidade claramente dividida entre liberais e conservadores. Nesse turbilhão se encontra Donnie Darko (Jake Gyllenhaal), um garoto considerado problemático com alguns traços de esquizofrenia (assim caracterizado pela psiquiatra que ele frenquenta, Ms. Thurman).

Em uma noite, um coelho monstro gigante acorda Donnie, salvando sua vida, pois repentinamente uma turbina de avião despenca do céu caindo exatamente na cama de Donnie. O coelho monstro gigante ainda profetiza que o mundo irá se acabar dentro de pouco tempo, este mundo, Donnie entederá ser o mundo pessoal dele.

Donnie se mostra dividido entre a realidade e suas alucinações, junto a isso, muitos questionamentos sobre o sentido da vida e, principalmente, da morte.



Filme do Desassossego


Direção: João Botelho
Gênero: Drama
Origem: Portugal
Duração: 90 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 2010

Sinopse: A ação decorre em três dias e três noites, num quarto de uma casa na Rua dos Douradores, em Lisboa. Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros, é um homem solitário e atormentado que vai anotando os seus pensamentos e angústias num livro, que intitula de “Livro do desassossego”.

“A solidão absoluta e perfeita do eu, sideral e sem remédio. Deus sou eu!”, escreveu Bernardo Soares.

O filme baseia-se no “Livro do Desassossego” do escritor Fernando Pessoa.



Crime e Castigo (versão da BBC)


Direção: Julian Jarrold
Gênero: Drama
Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha
Duração: 180 minutos
Tipo: Longa-metragem
Ano: 2002

Sinopse: O longa traz a história de Raskolnikov (John Simm), um inteligente e bem conceituado jovem estudante, que massacrado pelo mundo à sua volta, comete um assassinato para testar sua coragem e princípios.

O filme é baseado na obra do escritor Dostoiévski que vai além da trama e aprofunda-se na trágica história deste anti-herói, um dos personagens mais cativantes da literatura, que combina juventude, paixão e a busca pela essência perdida.


Publicado originalmente em: laparola.com.br

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Manoelle
Identidade Roubada
Escrito por Manoelle D'França

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Quando vi este novo tópico “Filmes & Livros” aqui no JC, enlouqueci! Vieram-me logo uns quinhentos livros e filmes à cabeça – mais livros, para ser sincera. Confesso que, tanto para livros quanto para filmes, eu sou fascinada por thrillers – e um drama bem elaborado também não cai mal. Em vista disso, vim dividir com vocês um dos livros que mais me prenderam e surpreenderam. O livro é o primeiro romance da escritora Chevy Estevens, e intitula-se Identidade Roubada – mas nada tem a ver com o filme do mesmo título. Eu tinha comprado este livro em meados do ano passado, e ficou lá, paradinho, naquela famosa lista “LPL” (Livros Para Ler) que todos nós conhecemos bem.

A obra conta a história de Annie O'Sullivan, uma jovem corretora independente e cheia de planos, que se vê perdida ao ser sequestrada por um homem que, para cometer tal crime, se passa por um de seus clientes. Ela passa intermináveis e miseráveis 365 dias nas mãos de um psicopata, que a submete diariamente a vários rituais doentios e a diversos tipos de crueldade, tanto física como emocionalmente. Além disso, a história é contada minuciosamente por ela mesma, após o infortúnio, em diálogos com sua psicóloga. Em vista disso, ao longo do livro, não só sentimos os monstruosos arrepios de sua convivência com aquele desconhecido, como também acompanhamos toda a sua luta para voltar a levar uma vida normal. Não dizendo muito, mas dizendo algo mais: a história envolve um grande segredo - proveniente de um acontecimento muito delicado, que pode ser considerado o maior fator responsável pelo estado traumático e lamentável em que a personagem se encontra. Recomendo muito! E paro minha resenha por aqui, senão acabo estragando aquele friozinho na barriga tão gostoso, que pega a gente antes de lermos um novo livro.

Sobre a minha reação ao ler: preciso dizer que o livro é forte, mexeu muito comigo, por isso acho válido que se esteja psicologicamente receptivo aos diversos acontecimentos chocantes – dessa vez eu não estava, fui pega completamente desprevenida. Quando você pensar que o sofrimento acabou... Vai por mim, você estará muito enganado. É um livro pequeno, pricipalmente para a intensidade do enredo, mas me prendeu de tal forma que li numa madrugada só – quando fui trabalhar, estava um completo lixo. A linguagem é bem informal e sem rodeios, o que de certa forma me surpreendeu, pois o assunto é todo um bocado complicado e delicado. Chevy Stevens é simples, direta e ferina.

Recomendo, recomendo e recomendo. Acredito que Identidade Roubada mexerá com vocês tanto quanto mexeu comigo.

Até mais e boa leitura!

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Mauricio de Lima Costa
Psicose
Escrito por Mauricio

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Bom, quem nunca viu a famosa cena do banheiro?

Psicose é um filme estadunidense de 1960, dos gêneros suspense e terror, dirigido por Alfred Hitchcock. Hitchcock comprou anonimamente os direitos do livro de Robert Bloch, que deu origem ao roteiro do filme; ele pagou onze mil dólares e depois comprou todas as cópias disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, seu final não fosse revelado.

Custando 800 mil dólares e faturando 50 milhões de dólares em bilheterias do mundo inteiro, o filme foi escolhido como o 11º melhor filme de todos os tempos e o melhor do gênero horror pela revista Entertainment Weekly. Foi eleito também como o 18º melhor de todos os tempos pelo AFI (Instituto Americano de Cinema).

Sinopse:

Psicose começa com a secretária Marion dando um desfalque de 400 mil dólares na imobiliária onde trabalha. É uma tarde quente de sexta-feira e ela pede licença ao patrão para sair mais cedo, e leva consigo o pacote contendo o dinheiro, certa de que seu crime só seria percebido após o final de semana. Com pouco mais de dois dias para fugir, Marion sai dirigindo sem destino pelas estradas. Cansada, vai parar no Motel Bates, um lugar decadente, que quase fechou suas portas após o desvio da autoestrada. Lá, é recepcionada por um simpático mas estranho e tímido rapaz, Norman Bates, totalmente dominado pela mãe. Após um bate-papo e um rápido sanduíche, acontece o inesperado: Marion é brutalmente esfaqueada enquanto toma banho, numa das cenas mais famosas de toda a história do cinema.

Algumas curiosidades:

  • Psicose foi filmado em preto e branco porque Hitchcock temia que a cena do chuveiro ficasse chocante demais, com o vermelho do sangue.
  • A tradicional aparição de Hitchcock, neste filme, acontece durante aproximadamente quatro minutos, do lado de fora do escritório em que Marion trabalha, e ele está usando um chapéu de cowboy.
  • Janet Leigh não estava nua na famosa cena do chuveiro: ela usava uma roupa colante à pele. Uma dublê de corpo também foi utilizada.
  • O som das facadas, nesta mesma cena, na realidade é o som de um melão sendo esfaqueado.
  • O sangue desta mesma cena é, na verdade, calda de chocolate.
  • O chuveiro que se vê filmado de baixo para cima na realidade tinha dois metros de diâmetro, para que a câmera captasse os jatos d'água com maior intensidade.
  • A cena do chuveiro demorou sete dias para ser filmada, e utilizou 70 diferentes posições de câmera.
  • Hitchcock recebeu uma carta de um pai enfurecido, dizendo que sua filha, apavorada, recusava-se a entrar no chuveiro, após ver o filme. Hitchcock respondeu à carta, sugerindo ao pai que levasse a garota para uma lavagem a seco.
  • Psicose é o primeiro filme da história do cinema americano a focalizar um vaso sanitário dando descarga, o que era considerado de mau gosto, na época.
  • Houve três sequências: Psicose 2 foi lançada em 1983, Psicose 3 em 1986, e o capítulo final foi lançado em 1990. Houve também um especial chamado Bates Motel em 1987 e um remake em 1998.

Fonte: Wikipédia.

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Mauricio de Lima Costa
Ben Hur
Escrito por Mauricio

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O filme se passa na época de Jesus Cristo, e conta a vida de um judeu de grande influência (Judah Ben-Hur), que é traído por seu amigo (Messala) romano, e é então escravizado. Ele luta pela liberdade e volta para conseguir a vingança. Em Jerusalém, no início do século I, vive Judah Ben-Hur, um rico mercador judeu. Mas, com o retorno de Messala, um amigo da juventude que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento devido a visões políticas divergentes faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas Ben-Hur terá uma oportunidade de vingança.

Curiosidades:

  • Ben-Hur é um dos recordistas de Oscars recebidos, com onze estatuetas, estando empatado com Titanic, de 1997 e O senhor dos anéis: o retorno do rei, de 2003.
  • Esta foi a terceira adaptação para as telas de cinema da história de "Ben-Hur"; as anteriores ocorreram em 1907 e em 1925, ambas mudas e com Ben-Hur no nome. Em Ben-Hur: A Tale of the Christ (1925), o protagonista foi Ramon Novarro.
  • O ator Burt Lancaster recusou o papel de Judah Ben-Hur porque era ateu e não queria ajudar a promover a Cristandade.[1] Além de Lancaster, os atores Marlon Brando e Rock Hudson também recusaram.
  • A produção de Ben-Hur foi uma bem-sucedida tentativa da Metro-Goldwyn-Mayer de sair da ameaça de falência.
  • Gore Vidal declarou certa vez que o roteiro original previa um relacionamento homossexual entre Ben-Hur e Messala. Como o diretor Wyler sabia que Heston nunca aceitaria interpretar um personagem assim, Vidal sugeriu contar apenas a Stephen Boyd (Messala) sobre esse relacionamento — o que pode ser notado nas interpretações de Ben-Hur e Messala.
  • A MGM queria que um autêntico barco romano fosse utilizado nas cenas de batalha. Para tanto, contratou um engenheiro que se dedicava à arquitetura romana. Quando ele apresentou o design do barco aos engenheiros da MGM, estes disseram que o barco afundaria, pois era muito pesado. Ainda assim o barco foi construído e, ao ser colocado no oceano, inicialmente flutuou. Porém uma pequena onda foi suficiente para afundar a embarcação. Por causa disso, as cenas foram rodadas em um gigantesco tanque, com cabos prendendo o barco ao tanque.
  • Após a construção do tanque, era preciso dar à água (que estava marrom-escura) o tom azul-mediterrâneo necessário para que as cenas parecessem reais. Foi utilizado um composto químico que realmente azulou a água, mas também formou sobre ela uma crosta, que precisou ser toda retirada do tanque por operários da MGM.
  • Durante as filmagens no tanque, um dos figurantes caiu na água e lá ficou por muito tempo. Ao sair, ele estava totalmente azul, e teve seu salário pago pela MGM até sua pele voltar ao normal.
  • Só a construção da arena para a corrida de quadrigas (na Cinecittà, em Roma) custou um milhão de dólares. Nessa sequência – dirigida em 94 dias por Andrew Marton, Mario Soldati e Yakima Canutt, especialista em cenas de perigo –, utilizaram-se cinco câmeras, oito mil figurantes e 76 cavalos.
  • Para a entrada dos corredores, o diretor de fotografiaRobert Surtees usou uma grua de mais de trinta metros de altura: o espectador vê as quadrigas desfilando na pista como se sobrevoasse a arena. O efeito é realçado pela utilização do processo cinematográfico Camera 65, um aperfeiçoamento do CinemaScope.
  • Apesar de na Itália haver cavalos brancos, os quatro que foram utilizados nas filmagens vieram da Tchecoslováquia, trazidos na primeira classe de um avião fretado e que teve seus assentos retirados.
  • O estádio confeccionado para Ben-Hur seguiu detalhes do que fora utilizado na versão de 1926.
  • Após as filmagens, os cenários de Ben-Hur foram todos destruídos por ordem de Sam Zimbalist, que temia que eles fossem utilizados em produções italianas menores.
  • Miklós Rózsa compôs a trilha sonora de Ben-Hur, em oito semanas.

Fonte: Wikipédia

O melhor filme que eu já vi. Vale muito a pena assistir.

⌠ 13 avaliações para a publicação abaixo ⌡
rafael Almeida
The Watchmen
Escrito por Rafael

Em 1985 o mundo vive o clima da Guerra Fria, no qual um ataque nuclear pode acontecer a qualquer momento, vindo dos Estados Unidos ou da União Soviética. Neste clima de tensão política Edward Blake, o Comediante, é assassinado. Em seu funeral comparecem, em momentos diversos, seus antigos companheiros. Entre eles está Rorschach (Jackie Earle Haley), que acredita que sua morte seja o indício da existência de um assassino de mascarados.

The watchmen filme muito bom, uma conspiração bem amarrada e tramada de uma Historia em quadrinho, mas nada infantil ou simplória. Filme para que gosta de uma boa trama conspiratória, uma bela surpresa no final e um pouco de ação....

Fica a dica para quem ainda não viu o filme!

⌠ 26 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Victor Lacerda
Kids
Escrito por Victor

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Nova York serve de cenário para mostrar o conturbado mundo dos adolescentes que indiscriminadamente consomem drogas e quase nunca praticam sexo seguro. Um garoto, que deseja só transar com virgens, e uma jovem, que só teve um parceiro mas é HIV soropositivo, servem de base para tramas paralelas, que mostram como um adolescente pode prejudicar seriamente sua vida se não estiver bem orientado.

⌠ 25 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Jéssica Albino
Escritores da Liberdade: Educar para crescer
Escrito por Jéssica Albino

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"Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) é um filme baseado na obra best-seller Diário dos Escritores da Liberdade e dirigido por Richard LaGravenese. É protagonizado por Hillary Swank, que interpreta a professora de Língua Inglesa e Literatura, Erin Gruwell.

A professora é novata não somente na profissão, mas no contexto social em que se propôs a trabalhar: Uma Los Angeles violenta dos anos 90, onde precisa lidar com alunos “problemáticos” e marginalizados. Estes alunos “diferentes” e marginalizados pela sociedade e pela própria escola - que deveria fazer justamente o contrário - não são os únicos: Ao perceber e sensibilizar-se com as dificuldades destes jovens, a professora põe em prática métodos de ensino que fogem do paradigma vigente na escola, também é vítima de preconceito e descrença por ser jovem, diferente e estar a pouco tempo lecionando.

Uma das metodologias aplicadas foi entregar aos alunos um caderno em que deveriam escrever diariamente sobre suas vidas, seus problemas e questionamentos, bem como indicou leituras sobre episódios importantes para a história da humanidade, sendo o Diário de Anne Frank um deles. O objetivo era fazer com que os alunos compreendessem a importância do respeito e da tolerância, ingredientes para uma boa convivência e que se fossem colocados em prática constantemente evitariam muitas das tragédias e conflitos que presenciamos nos dias de hoje.

O filme nos abre a visão para um debate a respeito dos desafios da Educação, principalmente quando os cenários não são apenas as escolas com pouco poder aquisitivo – o que já dificulta bastante as coisas -, mas onde a mentalidade fechada para novos processos pedagógicos por parte do corpo docente e administrativo dificulta ainda mais qualquer iniciativa que vise o crescimento não somente intelectual dos alunos, mas também social e emocional.

Com base nestas colocações, também somos convidados a refletir sobre quão poderosas são as relações de afetividade entre professor e aluno, onde a história de vida de ambos é considerada e utilizada como ferramenta positiva ao desenvolvimento humano e para a construção de uma escola solidária.

Segundo Moraes de Souza:

 

“O desenvolvimento humano não está pautado somente em aspectos cognitivos, mas também e, principalmente, em aspectos afetivos. Assim, a sala de aula é um grande laboratório para que se observe e questione os motivos que levam o convívio escolar do professor e aluno, às vezes, a ficar desgastado e sem estímulo”. (SOUZA, Clélia Maria de. A afetividade na formação da auto estima do aluno, Rio de Janeiro, 2002, p. 10).

 

Deste modo, conforme a autora e de acordo com a realidade demonstrada no filme, entende-se que uma boa sintonia afetiva além de criar um sentimento de segurança no aluno em relação ao professor, facilita o processo de aprendizagem, pois o “estar seguro de si” permite que o aluno conheça e trabalhe seu potencial. Em diversos aspectos, é um filme que retrata muito bem a realidade dos professores e alunos não somente da sociedade americana, mas da sociedade global e deve ser visto por todos os professores e graduandos que tiverem oportunidade de fazê-lo, pois se trata de um bom exemplo de determinação e compromisso com a Educação e a profissão docente, que são – ou deveriam ser – as bases para uma sociedade que educa para crescer, não por obrigação. Como defende Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido, o professor desempenha um papel social indispensável na construção e reconstrução das realidades sociais, a partir do momento em que cada um de nós se descobre transformador de sua própria vida.

 

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 29º ed. São Paulo (SP): Paz e Terra; 2000.
SOUZA, Clélia Maria de. A afetividade na formação da autoestima do aluno, Rio de Janeiro, 2002, p. 10

⌠ 24 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Gustavo Hobold
Fundação
Escrito por Gustavo Hobold

A violência é o último refúgio do incompetente.”

 


 

Para começar, posso dizer que Isaac Asimov é um gênio. Aclamado escritor de ficção científica e vencedor do Prêmio Hugo, uma das maiores honras da literatura fantástica, ele realmente consegue fazê-lo sentir-se no futuro, provando ser um gênio não só no jeito robótico de pensar (pelas suas obras envolvendo robôs, sendo ele também o criador das famosas três leis da robótica), mas também em política, economia, religião, manipulação de massas e, é claro, em todos os aspectos que fazem um humano, humano (e provavelmente é isso que faz seu diferencial ao escrever sobre robôs).

Imagine-se no futuro. Agora imagine-se num futuro ainda mais distante, onde você estuda a própria cronologia do futuro. Lembra de suas aulas de história no colégio? É lá que ele o leva. Analisando o Império Galáctico de um ponto de vista distante e onipotente, o autor apresenta um padrão no desenvolvimento da humanidade que se repete muitas e muitas vezes. Mas isso ainda não é o mais fascinante sobre Asimov e sua obra.

Tudo começa quando Hari Seldon, um famoso psicohistoriador – uma nova ciência desenvolvida por ele mesmo baseada em história, estatística e matemática – prevê a queda do Império Galáctico. Para salvar a humanidade de milhares de anos de escuridão tecnológica e científica, ele sugere a criação de uma nova colônia nos limites da galáxia – o sistema Terminus – para desenvolver o maior trabalho literário de toda a história e agrupar todo o conhecimento humano já adquirido: a Enciclopédia Galáxia.

Fundada como uma colônia científica em um planeta com poucos recursos naturais, a Fundação, como é chamada, começa a sofrer com problemas políticos e diplomáticos e é aí que a grandiosidade de Asimov começa a aparecer. Como é muito mais desenvolvida em ciência e tecnologia que o resto da Periferia – como é chamada a região da galáxias a qual o sistema Terminus pertence – outras colônias começam a trocar recursos naturais, como ouro e ferro, por aparelhos tecnológicos para controlar suas massas.

Baseando-se na ciência, cria-se, então, uma nova religião na qual os pregadores são, na verdade, pesquisadores e técnicos. Foi Arthuc C. Clarke que certa vez disse que uma tecnologia suficientemente desenvolvida é indistinguível de magia, mas essa frase encaixa-se perfeitamente nessa história, embora não estejamos falando de magia, mas sim religião (embora sejam ambas iguais se olharmos de um ângulo discreto, mas isso não é pra ser discutido aqui). Para controlar seu povo, os Quatro Reinos da Periferia compram ciência. Tudo corre bem, até que começam a aparecer crises e mais crises, chamadas de Crises de Seldon. Todas elas foram levadas em consideração quando o psicohistoriador previu a necessidade da criação da Fundação e, em cada uma delas, ele aparece como um holograma para tentar ajudar a resolver.

Mas não é apenas religião que controla massas e não é apenas a fé que é necessária para a humanidade, mas também mercantilismo, proteção, comida, aparelhos, indústria e, é claro, uma economia estável. Para Isaac Asimov, a energia nuclear moveria absolutamente tudo (considere que esse livro foi escrito no início desenvolvimento da energia nuclear) e ele realmente consegue nos fazer acreditar que daria certo um mundo movido apenas desse jeito.

O livro é bem dividido em cinco seções: Os Psicohistoriadores, Os Enciclopedistas, Os Prefeitos, Os Comerciantes e Os Príncipes Mercantis. Em cada parte, Asimov explora uma profunda ferida na civilização, psicologia e sociologia humana, baseando-se em apenas alguns aspectos dominantes e mostra que é muito fácil derrubar uma sociedade inteira batendo apenas em sua fundação.

 

95/100

⌠ 16 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Gustavo Hobold
Deus, um Delírio
Escrito por Gustavo M. Hobold

Antes de começar a ler, saiba que esse texto é a resenha de um livro que aborda religião. Todo conteúdo que expresso aqui é minha opinião e não reflete, de maneira nenhuma, o pensamento da página Juventude Clichê de maneira nenhuma. Se você é facilmente ofendido por críticas religiosas ou coisas do tipo, peço que simplesmente não leia. Se você não gosta de ler, também não leia, pois o texto é bem grande.


“ Poderíamos nós, através de treino e prática, emancipar-nos da Terra Média, tirar nossas burcas negras e alcançar algum tipo de interpretação intuitiva – e também matemática – do muito pequeno, muito grande e muito rápido? Eu realmente não sei a resposta, mas eu estou ansioso para viver numa época na qual a humanidade está beirando os limites do conhecimento. Ou, ainda melhor: podemos descobrir que não há limites.”

 


Richard Dawkins é um cientista britânico e mundialmente conhecido por ser ateu e lutar pelos direitos de sua classe. Também é um reconhecido biólogo e evolucionista (embora eu ache que ambas estão bastante conectadas), professor emérito no New College da Universidade de Oxford, onde teve a cadeira de Professor de Compreensão Pública da Ciência de 1995 até 2008. A maior parte de seus livros publicados é em defesa da ciência, da razão e do humanismo e, por isso, fundou a Fundação Richard Dawkins pela Razão e Ciência.

Sempre vi Richard Dawkins como um ateu militante (e ainda o vejo assim, de fato), apesar de concordar que seus argumentos em prol da ciência e da razão são legítimos e certamente bem desenvolvidos (eu ainda não vejo como alguém pode não confiar na ciência, de qualquer jeito). Nesse livro, ele critica e apoia a inexistência de Deus, esse descrito na maioria dos livros sagrados das religiões modernas. Mas, ainda assim, o principal propósito do livro é colocar ao chão a fé no sobrenatural em todos os sentidos. Dawkins divide o livro em dez capítulos – provavelmente para fazer algo análogo aos dez mandamentos bíblicos – e, em cada um deles, trata de um problema (e solução) para a existência, inexistência e necessidade de deus e da religião (e o faz bem).

Se você for crente, esse livro não mudará sua cabeça. De fato, esse livro sequer tocará sua fé – ou não deveria, de qualquer jeito –, qualquer seja seu credo. Esse livro irá, é claro, mostrar um ponto de vista ateu sobre a vida, o universo e tudo mais.

Admito que não seja ateu, apesar de tender a agir como um algumas vezes. Eu sou agnóstico ou qualquer rótulo que queira dar pra alguém que não liga se existe ou não um deus (ou pelo menos eu tento não ligar) e acho esse comportamento o melhor para mim. Um dos motivos pelos quais eu considero Dawkins um ateu militante é que ele está sempre tentando pregar o ateísmo assim como padres e pastores pregam o evangelho – de fato, alguns me disseram que esse livro mudaria minha cabeça sobre a militância de Dawkins, mas não mudou. Eu acho bem mais fácil viver uma vida sem se importar se as outras pessoas possuem um amigo imaginário ou não. E ele critica os agnósticos por estarem em cima do muro – e até concordo com ele em alguns momentos, como quando diz que a ciência destruiu e tem destruído a humanidade e seu potencial para o desenvolvimento científico e tecnológico. Como você deve saber – ou não –, gosto muito do método científico.

Dawkins usa as controvérsias bíblicas provocativamente para fazê-lo pensar – ou, melhor ainda, raciocinar – se existe um deus todo poderoso que é tanto bom quanto mau e mostra que o mesmo argumento que é usado para apoiar a existência desse ser sobrenatural pode ser confundido com padrões psiquiátricos da mente. Ele até mesmo ri – e de coisas bem risíveis, se quiser minha opinião – sobre alguns credos que ainda são amplamente aceitos pelas pessoas que acham que religião ainda possui a verdade absoluta, como a lenda de Adão e Eva, os doze mil anos da Terra, o Dilúvio e algumas outras coisas que muita gente toma como verdade irrefutável.

Dawkins usa alguns argumentos realmente bons a favor da ciência e contra a religião – e eu concordo com a maioria deles, senão todos –, mas ele é um péssimo examinador da realidade. Ele é bom em descrever e talvez até filosofar um mundo sem religião. O que acontece é que a realidade não está livre da religião. De fato, a sociedade ainda sustenta um laço muito forte com entidades e poderes sobrenaturais; é um fato indiscutível. Dawkins parece se esquivar disso e não oferece qualquer solução; ele apenas critica religião e coloca a ciência acima de tudo, imaginando como o mundo seria se as pessoas abandonassem suas crenças. O fato é que isso não irá acontecer tão cedo. Nós temos que lidar com a religião e infelizmente é assim que funcionará pelos próximos *muitos* anos. Não estou dizendo que nós devemos sentar e ver o mundo queimar em fé infundada, mas devemos ao menos respeitar se queremos ser respeitados. A maior parte da sociedade crê e, por isso, somos uma minoria. Se quisermos ser respeitados, devemos respeitar. É mais ou menos assim que a democracia funciona.

De qualquer jeito, esse livro é uma leitura fascinante. Recomendo para pessoas religiosas e não-religiosas que desejam ter uma visão única do jeito de crer de Dawkins. Só peço que não vá e mande-o queimar no inferno porque não concorda com sua visão. Talvez esse livro o ajude a entender o que é ateísmo.

Avaliação: 80/100

⌠ 8 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Marisa Oliveira
"Nada do que você pense que não possa ser pensado"
Escrito por Marisa in the Sky

É essa a frase que se lê na capa do livro Os Beatles e a Filosofia, de Michael Baur e Steven Baur. Se você pensou que é mais uma biografia sobre os garotos de Liverpool, aí é que você se engana.

Comecemos pelos autores, Michael Baur é professor assistente de Filosofia na Fordham University e professor adjunto de Direito na Fordham Law School, em NY e Steven Baur é doutor em Musicologia pela UCLA, em Los Angeles, e lá também, é professor assistente atualmente. Muito bem. Esse livro faz parte da série coordenada por Willian Irwin, que une Filosofia aos mais diversos tipos de cultura atual, tais como Harry Potter, Hip Hop, Star Wars, Metallica, House, Super Heróis e até mesmo os Simpsons.

Tá, mas e o livro?

No livro, vinte estudiosos de Filosofia se reuniram para analisar o comportamento e o pensamento dos garotos, e para demonstrar pontos filosóficos presentes nas suas músicas. Quem gosta de Beatles já notou que cultura de consumo, de ceticismo, sociedade, política e espiritualidade são alguns dos temas que encontramos nas canções. Quando li a contra-capa do livro, um trecho me intrigou:

"Entenda um pouco mais sobre a relação de Paul com a Filosofia do Amor, os jogos de linguagem nas letras de John, a comparação entre as ideias de George e o Existencialismo e descubra porque nenhum outro artista influenciou tanto uma geração quanto os Quatro Garotos de Liverpool"

E esse mesmo trecho foi o que me levou a ler o livro. Claro que as palavras "filosofia" e "beatles" na estante da livraria me chamaram atenção, mas se fiquei com vontade de ler, foi por esse pedacinho.

No livro encontrei algumas músicas que eu até conhecia, mas não tinha prestado atenção nelas. De fato, como está no trecho acima, as músicas são relacionadas à pensamentos de nomes famosos como Platão, Hegel, Aristóteles, Marx, Sartre e até mesmo Freud, dentre outros. Eu não li muitos livros sobre Filosofia não, e posso afirmar que não é nada muito difícil de se compreender, você não precisa conhecer muito para poder entender o livro.

Agora você quer saber se o livro é bom, né?

Bom, se eu estou escrevendo, é porque eu gostei.