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Gustavo Hobold
Alice no País das Maravilhas
Escrito por Gustavo M. Hobold

Ela então se sentou, mantendo os olhos fechados, e acreditou um pouco no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abrir os olhos de novo e tudo voltaria à triste realidade…

 

Alice

 

Com toda a audiência que Alice no país das maravilhas vem chamando devido ao filme do Tim Burton, não pude deixar de ler a obra original, já que desconhecia quase que por completo a história.

Tenho que dizer que fazer uma crítica sensata de uma obra infantil para um público que provavelmente não será formado por crianças é um trabalho um tanto quanto difícil, embora o enredo seja rico até mesmo para leitores já crescidos e possivelmente maduros. Com certeza não tive a visão da história que teria se estivesse na infância, mas mesmo assim Carroll impressiona.

Alice no país das maravilhas é uma obra de Lewis Carroll, um escritor e matemático inglês. O que é interessante nisso é que a abstração lógica da matemática pode vir a ter dado a Carroll uma visão diferente do mundo infantil organizado ao qual as crianças estavam habituadas a se situarem. Enfim, eu poderia passar muito tempo discutindo sobre o autor, que possui de fato uma história muito rica, mas estou aqui para falar do livro.

Alice é uma menina que se vê entediada em seu mundo natural, até que avista um coelho com relógio e paletó (coisa que jamais vira antes) correndo e falando. Decidindo segui-lo, ela cai numa profunda toca até atingir o chão e descobrir um novo universo, onde animais falam, plantas e comidas possuem efeitos especiais, como fazê-la crescer ou encolher. Vendo-se presa num mundo onde absolutamente nada faz sentido, Alice tem conversas com seres nada estranhos e muito surreais que a fazem refletir sobre si mesma.

Guiado pela completa falta de sentido, porém abastecido de lógica e criatividade, Lewis Carroll cria um mundo paralelo onde tudo que parece ser estranho ao nosso mundo é perfeitamente normal aos habitantes da terra maravilhosa.

É magnífico o jeito com que o autor introduz a lógica e o pensamento crítico nas crianças, através de coisas aparentemente simples, apenas rearranjadas de modo a ser desprovido de sentido aparente, mas despertando a curiosidade do leitor, que na maioria das vezes é criança. Trata-se de um livro eu diria que essencial para toda criança, um estimulante ao pensamento e às verdades que lhes são impostas logo de cara. Carroll faz com que nos perguntemos por que uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, por que não podemos fazer de um jeito que para alguns pode parecer idiota ou até mesmo escandalosamente fora de padrão.

Não sei se a palavra certa é arrependimento, mas gostaria de ter-me introduzido ao livro quando criança, pois não tenho dúvida que seria uma leitura interessante. Talvez hoje essa história não seja divulgada (além da óbvia falta de estímulo à leitura) porque as crianças estão cada vez mais habituadas a serem dadas tudo à boca, desgostando da fantástica experiência em tentar interpretar algo novo. Mas isso é, com certeza, algo que o livro de Lewis Carroll está disposto a fazer.

AVALIAÇÃO: 95/100

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