⌠ 24 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Gustavo Hobold
Fundação
Escrito por Gustavo Hobold

A violência é o último refúgio do incompetente.”

 


 

Para começar, posso dizer que Isaac Asimov é um gênio. Aclamado escritor de ficção científica e vencedor do Prêmio Hugo, uma das maiores honras da literatura fantástica, ele realmente consegue fazê-lo sentir-se no futuro, provando ser um gênio não só no jeito robótico de pensar (pelas suas obras envolvendo robôs, sendo ele também o criador das famosas três leis da robótica), mas também em política, economia, religião, manipulação de massas e, é claro, em todos os aspectos que fazem um humano, humano (e provavelmente é isso que faz seu diferencial ao escrever sobre robôs).

Imagine-se no futuro. Agora imagine-se num futuro ainda mais distante, onde você estuda a própria cronologia do futuro. Lembra de suas aulas de história no colégio? É lá que ele o leva. Analisando o Império Galáctico de um ponto de vista distante e onipotente, o autor apresenta um padrão no desenvolvimento da humanidade que se repete muitas e muitas vezes. Mas isso ainda não é o mais fascinante sobre Asimov e sua obra.

Tudo começa quando Hari Seldon, um famoso psicohistoriador – uma nova ciência desenvolvida por ele mesmo baseada em história, estatística e matemática – prevê a queda do Império Galáctico. Para salvar a humanidade de milhares de anos de escuridão tecnológica e científica, ele sugere a criação de uma nova colônia nos limites da galáxia – o sistema Terminus – para desenvolver o maior trabalho literário de toda a história e agrupar todo o conhecimento humano já adquirido: a Enciclopédia Galáxia.

Fundada como uma colônia científica em um planeta com poucos recursos naturais, a Fundação, como é chamada, começa a sofrer com problemas políticos e diplomáticos e é aí que a grandiosidade de Asimov começa a aparecer. Como é muito mais desenvolvida em ciência e tecnologia que o resto da Periferia – como é chamada a região da galáxias a qual o sistema Terminus pertence – outras colônias começam a trocar recursos naturais, como ouro e ferro, por aparelhos tecnológicos para controlar suas massas.

Baseando-se na ciência, cria-se, então, uma nova religião na qual os pregadores são, na verdade, pesquisadores e técnicos. Foi Arthuc C. Clarke que certa vez disse que uma tecnologia suficientemente desenvolvida é indistinguível de magia, mas essa frase encaixa-se perfeitamente nessa história, embora não estejamos falando de magia, mas sim religião (embora sejam ambas iguais se olharmos de um ângulo discreto, mas isso não é pra ser discutido aqui). Para controlar seu povo, os Quatro Reinos da Periferia compram ciência. Tudo corre bem, até que começam a aparecer crises e mais crises, chamadas de Crises de Seldon. Todas elas foram levadas em consideração quando o psicohistoriador previu a necessidade da criação da Fundação e, em cada uma delas, ele aparece como um holograma para tentar ajudar a resolver.

Mas não é apenas religião que controla massas e não é apenas a fé que é necessária para a humanidade, mas também mercantilismo, proteção, comida, aparelhos, indústria e, é claro, uma economia estável. Para Isaac Asimov, a energia nuclear moveria absolutamente tudo (considere que esse livro foi escrito no início desenvolvimento da energia nuclear) e ele realmente consegue nos fazer acreditar que daria certo um mundo movido apenas desse jeito.

O livro é bem dividido em cinco seções: Os Psicohistoriadores, Os Enciclopedistas, Os Prefeitos, Os Comerciantes e Os Príncipes Mercantis. Em cada parte, Asimov explora uma profunda ferida na civilização, psicologia e sociologia humana, baseando-se em apenas alguns aspectos dominantes e mostra que é muito fácil derrubar uma sociedade inteira batendo apenas em sua fundação.

 

95/100