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Ederson Oliveira
Enquanto Arde


Sempre pode piorar.
As coisas não costumam ir bem quando a falta de maturidade e o infeliz toque do acaso se juntam. Como se já não bastasse tudo que já passamos e ainda sentimos o gosto amargo, tudo que ouvimos sem sequer poder questionar... 
A dor é egoísta. Não se divide dor com quem quer que seja. Por mais que as pessoas digam que se preocupam - e eu realmente acredito que sintam isso - o problema é inteiramente seu. Assim como o amor, a dor é egocêntrica.
Pode tentar, sim, abstrair com a garrafa do destilado com a maior graduação alcoólica por perto ou com a mulher mais fácil de se envolver. Enquanto for noite e as gotas de suor do prazer mais efêmero ainda rolarem, pode até conseguir o efeito desejado. Manhã seguinte: dor de cabeça, dor de alma e, vejam só, os tais motivos pr'aquela fuga insana ainda lá.
Essas pancadas talvez sejam o aquivalente daqueles tapas que grande parte dos pais tem o costume de dar nos filhos, vez ou outra. Depois de velhos, com o cordão umbilical devidamente cortado, o clichê geral é dizer que foram importantes os "ensinamentos" físicos, mostraram onde estava o erro. Pode ser que sim.

Mas, enquanto ainda se sente a ardência e a pele ainda está vermelha como fogo, qualquer tentativa de entender é inútil. Dói pra sempre. Dói por enquanto

 

 
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Ederson Oliveira
Vão querer ser... você.

Bonitos, inteligentes, competentes e saudáveis. Votem em todas as eleições, serão recompen$ados. Aproveitem o preço da academia, não vão querer ficar fora da medida para o verão. Sabe aquela peça que estréia amanhã? Esquecam ela, tem final do BBB. Não se preocupem com esses projetos de leis, estatutos, direitos e qualquer outra bobagem, afinal, os políticos recebem pra resolver todos esses problemas para vocês.
 
Engraçado essas pessoas que vivem gastando energia com ONG’s, sequer ganham dinheiro para tal. Imagine, desperdiçar tempo que poderiam estar dormindo ou engordando suas contas bancárias. Outras que ficam preocupadas com a água do planeta. Porra! Já viram quanta água existe por aí? Nem em um bilhão de anos acaba (e, se acabar, não estarei aqui mesmo). E tem essas que vivem pra proteger os bichinhos e as plantinhas da Amazônia. Sabe o que faltam a elas todas? Uns problemas pra resolver, trânsito pra enfrentar, sei lá.
 
Não tenho tempo para esse tipo de coisa, afinal, tenho meu emprego (amanhã vou arrumar um atestado pra faltar), minha família (hum, aquela prima me deve desde o mês passado), meu cachorro (será que eu deixei ração?). Preocupações demais.

Nasçam, vão à escola, aprendam a colocar a culpa no coleguinha, cresçam, roubem dinheiro da carteira da mãe pra ter dinheiro pra balada de sexta, cresçam, ocupem cargos importantes, roubem com seus cargos importantes, juntem o máximo de bens possíveis pra... pra... pra deixar de herança! Morram. O mundo é dos espertos.
 
E, claro, não pensem.
 
 
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Ederson Oliveira
Passeio pelo lado selvagem

Decidi andar sem saber muito bem pra onde. Bem clichê, bem cena de filme em que o personagem sai de carro depois de uma briga. Só que eu não tenho carro e vivo num mundo real (até mais real do que eu gostaria).

É como se dar uma volta por aí fosse libertar o que não conseguia pensar na rotina, e eu fosse encontrar a solução pros problemas do (meu) mundo. É ridículo. Umas garrafas de cerveja na beira da praia te fazem criar planos absurdos que seriam necessárias umas cinco vidas para concretizar. Sorte vai ser se, pelo menos, um deles sair da zona do ilusório.

Isso de olhar ao redor sempre foi forte em mim. Circunspecção. Me entender através do que acontece em volta não faz muito sentido, mas é isso que acontece. Saídas noturnas por aquela rua “underground” é melhor que qualquer consultório de análise. Ver o quanto as pessoas são bizarras, estranhas, cheias de idiossincrasias e... iguais a mim! Vontade de ouvir barulhos, sentir o cheiro que a noite carrega e compartilhar com ela a urgência de viver.

Vai que numa dessas esbarro na pessoa que vai mudar tudo o que eu tenho como legal e virar minhas ideias ao avesso. Vai que eu ache a resposta para questões que sequer perguntei. Vai que eu te encontro, vai que você gosta. Vai que, né, a vida acontece...

 
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Ederson Oliveira
Breve Angústia Documentada

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Longe de tudo que faz sentido pra ele, cada minuto vem cheio... de nada. Não é falta do que fazer, nem de lugares pra ir, nem de pessoas pra conversar. O problema é que faltam coisas que honrem o brilho dos olhos: estão escassos lugares que façam jus aos mais elaborados planos de mudar o mundo e se escondem os que muito têm a falar.

Não podem dizer que o rapaz não tenta. Ele até finge que curte certos tipos de músicas, autores que nem conhece e comidas que sequer sabe o gosto. Tudo isso para tentar ser maleável e se adaptar ao que vive agora. Acho que foi aí que ele errou...

Cadê aquela certeza que iria viver suas convicções, porra? Aquela gana de acordar por ter uma briga pendente com a vida? Agora restam angústias, sorrisos amarelos e uma ponta de crédito no futuro condenado pelo presente.

 
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Ederson Oliveira
Piegas, eu sei.

Ele sabia que não podia contar com muita gente.  No geral, dois ou três amigos seriam os que de fato sacrificariam alguma coisa em suas vidas para ajudá-lo. Seu problema não era físico, financeiro ou profissional. Se assim fosse, seria muito mais fácil de resolver. O que perturbava suas noites e seus dias era o vazio que não achava quem preenchesse. Era como se, inconscientemente ou não, acordasse toda manhã com o único objetivo de achar a garota que completaria essa vaga. Por mais piegas que isso pudesse parecer, era exatamente isso.

Exigências não existiam, não se pode exigir algo que não é você quem controla. Poderia ser qualquer uma, no ponto de ônibus ou na fila do banco, mas  teria que ser dele. Coisas bobas que queria ter com quem dividir. 

A verdade é que sentia vergonha de sentir isso. Tinha medo de parecer bobo demais, romântico babaca. Guardava essa avalanche de sentimentalismo pra quem soubesse entender. Espera até hoje, mas, apesar do tempo, a espera ainda arde como uma paixão adolescente.

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Ederson Oliveira
Politicamente correto?

O mal da nossa década: a batalha travada pelos "politicamente corretos" contra o resto da humanidade. Gente que confunde opinião e posicionamento com ofensa, gente que acha que pode julgar alguém que não age conforme o seu modo de pensar. Colocam-se em pedestais de arrogante tolerância, sem se dar conta que sua tolerância não passa de medo.Tornando a sociedade inerte, sem discussão, morta.

Onde anda a liberdade? Aquela que diz que todos podem reger as suas ações da maneira que quiserem, desde que não atinjam ninguém além deles mesmo. Optar por levar umas vida prejudicial ou polêmica é uma condição particular. Não precisa entender, basta aceitar. O que não dá é vestir a fantasia de perfeito e atirar pedras em quem teve coragem de assumir sua posição perante o mundo. O mesmo que apedreja é o que camufla em si até as últimas consequências o que as pessoas poderiam não gostar. Renato Russo, o grande Renato, já cantava "quem insiste em julgar os outros sempre tem alguma coisa pra esconder."
Esse insconciente coletivo que se proliferando só impede um mundo mais espontâneo e livre de preconceitos e tabus.

Politicamente incorreto é quem não se submete a regras e modismos impostos por quem acha que é superior? É quem sabe ser suficientemente maduro para discernir o que é certo, visto que isso é pessoal e não regra geral? É usar da sua liberdade sem querer restringir a dos outros? Desculpa, mas isso não me parece nada incorreto...

O sonho de democracia é respeitar o livre arbítrio, quando isso acontecer todos estarão tão ocupados consigo mesmos para prejudicar alguém. Enfim, só um desabafo contra falsos pudores, lições de moral decoradas e esteriótipos de saúde e juventude.

 
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Ederson Oliveira
Rock. Precisa dizer mais?

Nunca fui o mais bonito, o mais inteligente, o que se destacava nas aulas de educação física ou aquele que tinha dezenas de amigos. Também não era aquele que conversava com todo mundo da turma, sempre fui mais introvertido. Não me identificava com as músicas que tocava na maioria dos lugares que as pessoas iam. Minhas roupas jamais foram aquelas que todo mundo estava usando, é conforto e pronto.

Acho que por isso tudo o rock cruzou o meu caminho. Ele não vende a imagem de que é preciso ser popular, bonito e estar na moda pra viver, pelo contrário, cada um deve ser aquilo que quer ser de verdade. Ele se tornou uma espécie de válvula de escape pra toda essa mediocridade que a gente vê por aí. Por mais que a realidade estivesse ao contrário do que gostaríamos, ele sempre estava ali pra me fazer esquecer (ou pensar!). Me fez criar amigos que nunca imaginei (ou vi), abriu horizontes.

O Rock vem mudando a cara do mundo, da juventude e da cultura, deixando marcas onde quer que passe. Ouvir rock é dar valor ao seu ouvido, ao seu cérebro, à sua capacidade de ver na música algo a mais. É usar as letras para apurar seu senso crítico e saber filtrar essa quantidade de bobagens que chegam pela televisão, rádio ou internet. É se contagiar com o espírito de mudança, de saber que qualquer objetivo exige que você corra atrás dele. Não é ouvir só rock, nem é encher o saco de quem ouve outra coisa, é cumprir uma exigência própria de só gostar do que realmente desperta o seu interesse.

A história do rock começa com um grito: o grito do negro, que veio para a América como escravo e influenciou a sociedade norte-americana com a sua musicalidade. Os principais atingidos pela revolução sonora do rock’n’roll foram os jovens, inicialmente nos Estados Unidos e depois no mundo todo. Nos primeiros anos da década de 1950, estes jovens se encontravam em meio a disputas entre o capitalismo e o comunismo (a guerra da Coréia em 1950) e a uma valorização do consumismo, da modernização, fruto do progresso científico gerado no pós-guerra. O rock’n’roll, afinal, surgiu na América como um movimento da contracultura, visto que suas primeiras manifestações eram contrárias aos valores até então veiculados. Impossível ouvir o coro à capela de Love Of My Life no Rock in Rio (aqui) e não se emocionar, ou não pirar com a introdução de Sweet Child O’ Mine (aqui) no talo, ou ainda não tocar uma guitarra imaginária em Smoke On The Water (aqui) e cantar Exagerado (aqui) com Cazuza a plenos pulmões.

Gosto de ouvir uma canção e me sentir provocado por ela, instigado, animado, emocionado. E não tem estilo que melhor faz isso. Citar todas as bandas incríveis que embalam a vida seria fazer uma lista enorme... São músicas que marcam toda uma vida, a história de gerações. Basta lembrar que os melhores momentos da minha vida foram ao som de rock n’ roll. Um riff incrível é capaz de despertar coisas que a gente nem sabia que existiam. Uma letra pode mudar a forma como você vê o mundo pelo resto da sua vida. São referências, ícones, estilo de vida, círculo de amizades. Vai além de conceitos formais e banais. "It's not a problem you can stop, It's rock n' roll" (Garden Of Eden - Guns N' Roses). Dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock. Dia de quem quer mudar o mundo, mesmo que esse mundo não veja essa capacidade neles.

(http://etenhoditoblog.blogspot.com/)

 
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Ederson Oliveira
Minha Opinião Sobre a Legalização da Maconha...

legalizao maconha

Muita coisa está por trás da legalização ou não da maconha. De um lado, colocam-se aqueles que são veemente contra qualquer tipo de liberação; do outro, os que enxergam nela a melhor maneira de lidar com o problema do tráfico atualmente. Uma das primeiras iniciativas de combate às drogas por meio de proibição teve seu berço nos Estados unidos, por volta de 1920 e 1930, onde o governo proibiu qualquer tipo de bebida alcoólica: o resultado foi o oposto do esperado. A fabricação clandestina cresceu estrondosamente, tornando a bebida muito mais maléfica – eram encontrados alvejantes, formol e solventes na fórmula. O estado perdeu totalmente o controle sobre a qualidade e ainda teve que lidar com o aparecimento de gângsters que controlavam o mercado ilegal do álcool (como os traficantes). Guardadas as devidas proporções e particularidades, esse é um exemplo de como proibir irracionalmente alguma coisa pode ter o efeito contrário ao esperado.

A cannabis sativa é uma droga psicoativa que, segundo Antonio Escohotado, aumenta a percepção sensorial. Fica-se mais sensível ao frio, ao calor, aos cheiros, aos sabores... Também é vista como afrodisíaco por intensificar as sensações. Além do aumento da fome, leve sonolência, boca seca e analgesia. Especialistas afirmaram, por da revista médica The Lancet, que ela tem menos poder de dependência que o álcool ou o tabaco. Não quero dizer que a maconha não tenha malefícios - até por que ela pode causar perda da capacidade respiratória, bronquite, aumento da vulnerabilidade ao câncer de pulmão, angustia, pânico, prejuízo na memória e na capacidade de concentração -, quero dizer que manter esse tabu não é a melhor maneira de educar a respeito, visto que é preciso debater para informar.

É uma incoerência sem tamanho algumas substâncias serem permitidas e ainda serem símbolos de aceitação social e status, enquanto outras são proibidas e fazem o comércio ilegal sitiar favelas e matar para isso. Liberar deveria ser um interesse de todos, afinal, reclama-se tanto – com razão – da verba pública utilizada indevidamente pelas autoridades. E gasta-se sim verba (muita!) para tentar frear esse grandioso sistema que é o tráfico, enquanto outros setores da sociedade requerem esse investimento. A população tem que ser informada, as marchas pelo país estão mostrando que as pessoas estão tomando consciência que é fundamental tornar estatal o controle da maconha, tanto para enfraquecer o sub-mundo que a fornece atualmente, quanto para garantir o melhor controle sobre ela ou ainda para acelerar as pesquisas sobre seu efeito terapêutico.

 
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Ederson Oliveira
Ao som de um velho rock...

Quando a vontade de conhecer os cantos mais escuros, as pessoas mais hedonistas, os sabores mais exóticos crescerem na mesma proporção que a lua.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Quando os sentidos já estiverem sendo enganados pelo efeito de um vinho barato e o trapézio já não for mais capaz de te dar equilíbrio.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Quando o que se sente e pensa não conseguir acompanhar o que se vive, por se sentir ou pensar muito alto ou por viver muito baixo.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Na noite mais fria, no dia mais quente, na madrugada mais perturbadora.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Se o mais velho amigo te abandonar ou o amor platônico se declarar.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Quando a agulha da vitrola quebrar ou bateria do iPod acabar. Quando for preciso cantar desafinado para passar o tempo.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Quando a fome de novidade ficar tão forte a ponto de te fazer esquecer da rotina e fazer coisas que nunca imaginou fazer.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Se, algum dia, quiser alguém para falar importantes coisas inúteis, para ouvir aquele novo disco do passado ou debochar dos problemas do mundo.

Vem comigo ao som de um velho rock.

Na véspera de uma viagem, num dia de liberdade, na pior sarjeta da cidade. No céu diário ou no caos do noticiário.

Vem comigo ao som de um velho rock.

No dia que a solidariedade for crime, a tolerância não existir e isso incomodar você.

Vem comigo ao som de um velho rock. Quando estiver alegre, triste, cansada, no melhor estilo sex, drugs and rock n' roll, caseira, boêmia. Se o riso ou a lágrima escorrerem fácil.

Vem comigo ao som de um velho rock.


http://etenhoditoblog.blogspot.com/

 
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Ederson Oliveira
Ele é o paradoxo


Não ter a certeza de como sua vida estará daqui a algum tempo é o que o assombra. Tenta pulverizar esse peso em outras preocupações. Menores, mas que desfocam o mal maior. Aquela prova que precisa tirar nota alta serve para esse propósito, ou aquela garota que anda o ignorando. Qualquer coisa que ocupe o espaço que a dúvida habita.

Estuda pouco, ou nem estuda, mesmo sabendo que grande parte dos seus planos dependiam disso. Não procura emprego, mesmo sabendo que o dinheiro seria útil quande tivesse que trilhar seu caminho. É como se ele procurasse motivos para fomentar seus medos. Joga lenha na fogueira, apesar de querer mesmo é apagar o fogo.
Sempre fora cercado por essas contradições, desde sempre. Na infância, suas relações com seus amigos eram de amor e ódio, amizade e repúdio. Era uma maneira de camuflar o que sentia. Instintivamente, escondia seu âmago com atitudes contrárias. Tinha medo.
Tem pessoas que deixam um legado para o mundo. Não digo grandes invenções ou descobertas, digo detalhes que os seus mais próximos levarão consigo. Lembranças, memórias... Eu acho que só restará de mim uma dúvida que perdurará após a minha morte: vivi buscando aquilo que não queria ou procurei aquilo que queria, mas não tinha coragem de admitir?
Mas ainda está vivo. E segue. Segue com aquele espírito ideológico que se recusa a parar de tentar entender esse vácuo entre o que sente e o que faz. Apesar de tudo, sente orgulho de ser como é. Tanta gente que ostenta hipocrisia com uma ferocidade tamanha. Não é assim, então se reserva o direito de se gostar, um pouquinho que seja. Não faz mal a ninguém, embora faça a si mesmo algumas vezes.
Busca, corre, para, pensa, chora... Busca de novo. Chora de novo.

 
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