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Marisa Oliveira
Lo-Fi

alt

a baixa fidelidade
entre o que é tocado e o que é gravado,
entre o que se ouve da gravação e o que se toca no violão,
e entre o acorde ditado e o praticado.

fidelidade baixa
entre o que se vê no museu e o que se pinta na tela,
entre o que se pinta na tela e o que se tinha na cabeça,
entre o foi visto e o que de fato era…

baixa fidelidade
entre o que se aprende sobre coisa errada e o que livre-arbítrio proporciona
entre o que se vê com os olhos e com o que se fotografa com a câmera
entre o pouco tempo/espaço e as coisas que uma mente coleciona.


lo-fi
 
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Marisa Oliveira
Das Conclusões Alheias

(por Diane Arbus)



não sabe das coisas que faço
ou com quem eu ando
não sabe nem das coisas que amo

não sabe o que eu faço cedo
não sabe dos meus medos
e nem das coisas que penso

não sabe das madrugadas
não sabe das tragadas
e nem da semana passada

e acha que me conhece
e diz por aí que me conhece muito
 
 
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Marisa Oliveira
Síntese II
(Morning Sun - Edward Hopper)



Mais uma vez,
passo a noite em claro
numa imersão de pensamentos,
em parte platônicos e desnecessários

mais uma vez,
pondero as coisas que falo
nas sequências dos acontecimentos,
e guardo metade para meu auto-confessionário

mais uma vez,
acompanho a variância das cores
e, ao abrir o portão da casa que nem minha é,
de um dia que chega em silêncio

e mais uma vez,
a gama é tão detalhada e extensa
que equivalem toda a noite que passou densa
me dá uma paz estranha

antes, cada vez mais sintética
agora não,
agora sintoniza e sintetiza
dá leveza.

apesar do tempo vigente,
meus olhos ganharam um céu gradiente,
lembrei que no inverno teremos amoras
e também teremos geleia das mesmas

e a manhã mereceu café com chantilly e cigarro
acompanhados de um livro e caderno de versos improvisado
na mesa de fora da clássica padaria da praça central.

(originalmente em http://formula-do-acaso.blogspot.com.br/2012/07/sintese.html

 
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Marisa Oliveira
Carnívora
(por Ulrika Kestere)

Como disseram,
"Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada."

Meu coração

é um anjo

é de pedra

é de asa quebrada

é meu coração

é um.

Como disseram, 
eu poderia ter sido um semáforo,
eu poderia ter sido um relógio, 
poderia ter sido firme como uma rocha... 
Eu poderia ter sido uma chama acesa 
de uma ou de qualquer tocha,
eu poderia ter sido tanto,
e poderia ter sido.
E poderia ter estremecido,
ou poderia ter desistido,
e poderia ter assistido,
e poderia ter vencido,
ou poderia ter amanhecido...
poderia amanhecer, mas

Como disseram,
"I'm too pure for you or anyone."
 
 
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Marisa Oliveira
Do Amor Até Então
 
(Under the Red Umbrella - Leonid Afremov)

feito chuva,
vem, me agrada,
e de repente pára

feito dito popular
um para substituir outro,
madrepérola e ouro de tolo

feito macarrão instantâneo
te amo até amanhã
te amo só de manhã

feito desfeita
sei lá em que tomada estamos
sei lá o que do amor esperamos

 
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Marisa Oliveira
Longa Data
Seville - Brassai

 

Para Deni, amigo até o fim dos tempos, da vida, ou algo assim.

nos questinamos
porque não aconteceu antes
como não nos achamos antes
onde é que estávamos antes

nos lembramos
que nos conhecemos do nada
que nos embebedamos do nada
que trocamos ideias do nada

nos lembramos
queremos conversar de novo
queremos beber de novo
queremos nos ver de novo

nos preparamos
para sentirmos falta disso depois
para chorarmos saudade depois
e também para nos encontrarmos depois

nos entendemos
e nós entendemos
que as pessoas podem ser boas,
mas que essas mesmas nos dão medo,
que por enquanto fumamos por existir
que bebemos muito por gostar
que escrevemos por pensar
e que vamos para voltar.

há muito pela frente para nós.

 
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Marisa Oliveira
Miscelânia
Por Ana Raquel e Marisa no céu com diamantes
 
Cartier Bresson



uma pessoa em cada cômodo

uma pessoa em cada cor

uma pessoa em cada afago

uma pessoa em cada estado

uma pessoa em cada retina

uma prosa em cafeína

para recompor nossos espasmos

compor novos orgasmos

que reflitam o todo da vida

num cada pessoa

sempre da pessoa


http://dospareceres.blogspot.com.br/
http://formula-do-acaso.blogspot.com.br/
 

 
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Marisa Oliveira
Coisa de Quem é de Capricórnio
A Porta Aberta - René Magritte

 

Dessa vez tentaremos diferente. Digamos que isso aqui é um diário. Quem sabe assim consigamos finalizar uma crônica. Já começamos de maneira esquisita porque não se consegue editar o texto com a formatação que se quer.

Acreditando em zodíaco ou não, o título vai cair bem com a intenção desse escrito. Não é por se ser necessariamente desse ou de outro signo, e sim por haver algumas poucas pessoas que inexplicavelmente se identificam entre si.

Engraçado nos vermos de fora pela primeira vez. Se ver sentado, escrevendo, com o cabelo amarrado, antes do banho. Quem vê não faz ideia sobre à quantas anda essa alma. Até a pessoa mais segura do mundo tem inseguranças. E qualquer coisa pode ser considerada um ponto fraco, ou seja, uma insegurança. Essa é uma das ideias que nos vem no fim do banho, por exemplo. Até então, estamos muito seguros sobre o que planejamos e sobre o modo de vida que escolhemos. Construímos nossos princípios, podemos ter opinião sobre qualquer assunto, desenvolvemos teorias através da matéria empírica que adquirimos, e por aí vai. Mas um momento no banho, uma volta na praça, um nada pode mudar as coisas de ângulo...

De repente, a gente diz alguma coisa que implicitamente mostra essa nossa insegurança, e as pessoas desacreditam, acham que é brincadeira, pois somos muito seguros, ora bolas. E aí perdemos a graça, pois não sabemos nos expressar direito se tratando de nós mesmos. E aí somos malucos por querermos nos encontrar numa carreira de cocaína com a Mia Wallace, ou quando queremos nos internar com a Susanna Kaysen, ou quando queremos ser John Malkovich. Faz um testezinho besta sobre que personagem seria, e poxa, você é o Forrest Gump. E você não sabe se fica feliz, afinal, é o Forrest!, ou se você fica triste, porque, poxa, o Forrest se fode muito...

Ainda assim, a peteca não cai, porque tentamos levantar quem está com a gente mesmo que estejamos ajoelhados... E ainda tem mais uma coisa: como fazer com que os outros entendam que isso não é necessariamente tristeza, e muito menos cocaína? O que é que acontece com as pessoas, que não sabem distinguir as coisas mais... que acham que perder cinquenta reais e não poder ir para um bar bacana no final de semana é muito grave... Não querendo apelar, mas tem gente que acha que “causará” com uma roupa que vai usar amanhã de noite, e enquanto isso, nós estamos num quarto com música achando que vamos perder o controle das coisas, e enquanto isso tem gente achando que a cura da sua doença vai chegar antes da sua morte, e et cetera... 

Por essas e outras, para nós, é difícil aceitar a diferença entre os seres humanos... Todos nós temos um cérebro e um coração. Mas as pessoas usam seus corações apenas para bombear sangue pelo corpo, que está apenas obedecendo algumas coordenadas sem grande relevância de um cérebro alienado...  As pessoas nem querem igualdade mais. As pessoas querem trocar mediocridades em mesa de bar cult de preço caro, e não mais trocar ideias ou experiências.... As pessoas gostam de algo que não conseguimos valorizar, sequer nomear. E algumas ousam ainda reclamar do nosso fumo ou de nossa boemia, da falta que não sentimos da TV ou das esquisitices que chamamos de Arte.

O que acontece com as pessoas? Ou então, o que acontece com a gente que é de capricórnio, ou que é de esquerda, ou que é de humanas?


 
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Marisa Oliveira
Das Cores Nascentes da Resolução

 

Woman In The Sun - Edward Hopper

 

Escorrego,
mas não caio,
não me entrego
não me desespero [sempre]

a questão é: porque sonho demais?
porque escorrego
porque enxergo
violeta degradé numa nuance gradiente
ao invés de roxo?

e aí, qual a utilidade
a finalidade
vou dar em quê
aonde
ou pra quem

porque eu tenho que ter ideias?
porque sinestesia
porque maresia
porque ventania

porque preguiça de acento
porque assento da janela esquerda
porque licença poética
licença patética

ser normal deve ser menos complexo
ser anormal nunca quis dizer melhor
então veja bem onde se enfia...

vai que acabas como eu
sem escutar favoritas na rádio
se metendo em buracos negros inexistentes
em estrelas incandescentes
se enchendo de
porque, porquê, por quê, por que

tendo muito trabalho para diferenciá-los
como tenho para todas as outras coisas nessa vida.


 
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Marisa Oliveira
Kairos
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Sergey Larenkov



Disfarço na rede
há tantas velhas novidades
tantas foto-atrocidades
na minha vasta linha do tempo...

E nesse final de verão
eles todos verão
o tempo se evapora
se desintegra ali fora
como minha água na escrivaninha.

E agora disfarço com cigarro
tocando violão,
usando óculos
sem precisar no momento

e o tempo evaporou mais um pouco
o vento está um pouco mais rouco
da maneira que eu mais gosto
e precisamos correr
enfiar a linha do tempo na agulha
e mergulhar,
e escalar
e ser escalado para quinta-feira

Se o tempo realmente não existe,
se de fato fosse tudo aqui e agora,
quantas pessoas estão aqui nesse mesmo lugar?
E que pessoas...?


enquanto o tempo muda
de novo os ventos mudam
eu podo mais mudas
e fico muda.


http://formula-do-acaso.blogspot.com/

 
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