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Marisa Oliveira
Soneto da Moda Antiga
Porque passamos dos anos 00, onde os hologramas irão projetar seus sonhos e pensamentos.
Onde as coisas já não terão controle, nada convencionalista, onde morre o discernimento.
Mas entenda, a obsolência é algo totalmente acostumável, pois nunca estaremos sozinhos nesse ângulo.
Sempre haverá mais algum preguiçoso, o qual eu prefiro chamar de sonhador, o arco-íris no triângulo.
Ninguém se importa com as coisas que prezamos, pois já não existe mais o conceito de "adequado".
As pessoas se espantarão quando você disser que vai conversar com os pais do seu namorado.
Se espantarão com você, que foi criado para casar, mas vai deixar seu casamento para bem mais tarde
Ou então com que você sai, bebe sua cerveja, conversa com os amigos, sem precisar fazer alardes.
Pensar, isso já não se precisa mais, mas gostamos, "nada do que você pense que não possa ser pensado"
Acreditar em Deus já não dá, onde já se viu, e ser ateu,também já  não se pode, isso é coisa do diabo
Se você não lê o mais vendidos, fique sabendo, você não tem um pingo de cultura por aqui.
Mas isso soa pessimista demais, às vezes acho que isso é uma forma estranha de sermos presenteados,
Pois desse senso comum, nós que ainda olhamos o céu em dias normais, fomos todos libertados.
Apesar de anacrônico, obsoleto, do que mais chamam?  prefiro que isso tudo continue assim. 

(Marisa in the Sky)
 

 
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Marisa Oliveira
Prejuízo
Eu sempre esqueço de anotar a ideia na hora,
sempre acho que vou conseguir lembrar outrora
e acabo me distraindo com as cores da aurora
e jogando alguns pensamentos fora

 

alt

 

 
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Marisa Oliveira
Ensaio I

A chuva deixou o céu cor-de-rosa e amarelado 
e deixou poças pra todo lado

"somente o que doeu pode despertar as primeiras rimas. 
Sempre as rimas são despertadas por alguma dor. 
- É apenas uma questão de interpretação."

Escolheu na estante aquela antiga canção 
olhou mais uma vez para dentro daquele intrínseco

Lembrar que o passado foi bom, e doer 
alimentar uma esperança incerta, que dói

Arrancar lágrimas de uma amiga com uma música favorita 
pensar no quanto a vida dele pode ter sido dolorida

Lembrar que as pessoas morrem de repente 
"Alimentar sonhos dói de forma diferente..." 
alguns biscoitos de nata e  um chá de hortelã quente.

Ver como o que se pensava que era tão sólido e puro 
desmoronar como se fosse um castelo de areia 
ver as coisas virarem aos avessos no escuro 
e quase acreditar em duendes e sereias.

Aquelas coisas tão impossíveis são mais reais do que aquelas que se quer e que poderiam ser realizadas de forma fácil... 
Aquelas coisas potencialmente duradouras que estavam acontecendo, nas quais se acreditou tanto, acabaram em questão de minutos.

Pensou nisso e lembrou que tudo poderia acabar num segundo.

então, viveu como se fosse o último dia nesse mundo

Despejar palavras impronunciáveis até então naquela mesa 
e separar e ilustrar as melhores com destreza


Uma rede na varanda que tem todas as luzes da cidade 
e já não saber o que mais fez parte da realidade

Olhou mais uma vez para seus olhos azuis 
que estavam ficando verdes por causa da mudança luz 
Sentiu na pele o clarear do dia e o final do sereno 
e adormeceu.
 

 
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Marisa Oliveira
High Hopes

O dia que amanheceu azul agora está se acinzentando
e uma garota sentada em sua pseudocama ouvindo High Hopes
imagina uma paródia da realidade.

Ao lado, uma música com um bom riff está tocando
e quão antiga essa música fosse
já ouviu antes, de quem é ela sabe

Toalhas balançam no varal porque está ventando
essa garota com vontade de comer doces
já não sabe se quer saber a Verdade.

Junto com o deja vu, a parte do refrão foi chegando
e do nome dessa música lembrou-se
e de algo inédito doeu uma saudade

As pessoas passam e não imaginam no que ela está pensando
no meio do que não tem centro ela achou-se
e desejou ter outra idade

O chão que parece tabuleiro de xadrez a chuva está molhando
Division Bell ou Pulse, ela está ouvindo novamente High Hopes
ela imagina que o sonho esteja à mesma distância que tem a eternidade

Aos três minutos e meio, ela se pega rezando
para que essa somente um devaneio fosse
para que soubesse de fato a verdade
 

 
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Marisa Oliveira
Chanson D'Amour

O que quer que pensasse, 
tudo voltaria a chanson d'amour

Havia insetos em volta da luz 
já se passavam das vinte horas 
retirou das unhas o esmalte azul 
de azul só ficou o blues da vitrola

Mas que quer que cantasse 
acabaria cantando a chanson d'amour

Terminou uma parte do desenho 
trocou umas palavras com a criança 
pensou na noite que chegara com receio 
desejou profundamente uma grande mudança

mas o que quer que desejasse 
desejaria de novo a chanson d'amour

Quis uma garrafa de um destilado 
lembrando do olhar daquele cantor 
aquele seu ar francês e seus cigarros 
cantando a frase da madrugada anterior

o que quer que lembrasse 
lembraria da chanson d'amour

que gosto de cais havia deixado tal madrugada. 
gosto de perfume amadeirado e cigarro caro 
que gosto de cinema, de Jean-Luc Godard 
gosto de chapéu preto e uísque barato

o que quer que fumasse 
ela fumaria a chanson d'amour

desejar o impossível é uma tolice 
uma tolice deliciosamente saborosa 
ela não deixou de lado essa crendice 
e acompanhou com um copo de vodka

e o que quer que bebesse 
beberia da chanson d'amour

afinal, uma nova noite começara 
e havia uma outra perspectiva ainda 
um perfume diferente ela borrifara 
e à nova noite desejou boas-vindas

mas no final do disco 
havia a chanson d'amour
 

 
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