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Gustavo Hobold
Essa Modinha de Merda
Escrito por Gustavo Hobold
 

Recentemente (bem, não tão recentemente), a sociedade brasileira (ou até a mundial, se preferir generalizar) dividiu-se quase em duas classes: os coloridos e os que odeiam os coloridos.

A nossa sociedade sempre foi moldada por essas modinhas (entre outras coisas, é claro), mas nunca deixou de se desenvolver. Esses produtos da necessidade atual sempre nasceram, sempre morreram e sempre irão nascer e morrer. No entanto, o que me assombra é que a quantidade da segunda classe que citei, os que odeiam essas modinhas, tem crescido absurdamente e eu realmente não entendo o porquê, mas juro que tento. Hoje temos as bandas de happy rock (vulgo coloridos) que se popularizaram entre o público adolescente, mas no passado já tivemos diversos outros exemplos disso, como o emocore e todos esses ficaram populares não pelo público que gostava, mas pelo público que odiava.

Eu acredito que seja da natureza humana considerar que aquilo que você não gosta ou que aparentemente não traga benefício nenhum pra você deva ser banido urgentemente da sociedade, mas isso não faz sentido algum para mim, realmente. Cada vez mais tem crescido o número de pessoas que quer parecer ser diferente e isso provavelmente inclui você e eu, pois não é a toa que você está lendo uma página na Internet chamada Juventude Clichê e eu estou escrevendo nela. Mas eu realmente duvido que na sua infância ou adolescência tenha deixado de ouvir Sandy & Jr., Xuxa, Angélica e similares, tenha usado seu tempo pra ler e criticar Neitzsche e escrever um ensaio científico a ler Harry Potter e imaginar uma história alternativa.


Tenho visto no Orkut comunidades com descrições totalmente idiotas como “na minha infância a gente assistia Power Rangers, brincava de super trunfo, jogava Super Nintendo e Justin Bieber era apenas um espermatozóide”. Numa hora dessas eu me pergunto: e daí? Hoje as crianças assistem, sei lá, Gormit, jogam XBOX 360, brincam de milhares de jogos de carta que aparecem todos os dias e a modinha de daqui 15 anos ainda é um espermatozóide. É muita prepotência (e idiotisse) pensar que a sociedade não mudaria com o passar do tempo, que não teríamos desenvolvimento e que estagnaríamos simplesmente para você entrar num ciclo nostálgico quando quisesse.

Eu respeito totalmente a opinião de quem não gosta e também de quem gosta desse tipo de coisa, não respeito a de quem vai contra pelo simples fato de ir. Além de idade diferente, pessoas diferentes possuem gostos diferentes. Nem todo mundo é (ou quer parecer ser) cult. De fato, se você quer ser assim o tempo todo, deve ser a pior pessoa do mundo pra se ter uma conversa interessante.