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Deni Mazur
Parafrasear
Escrito por Deni

E é quando perco a paciência que reencontro a saudade,

escancarando os velhos álbuns em fotos de cores saturadas de vermelho,
outras em branco e preto, como se fossem um soneto,
posso ouvir os sons do lugar, que outrora chamei de lar.

Assim me dói só de relembrar, que entre as cores fixadas no papel de foto,
resta desbotada uma fonte de memórias que o tempo não pôde apagar,
lembro de quando as pernas corriam oito quadras sem descansar,
como era bom brincar de pique-esconde.

Lembro dos rústicos carrinhos de rolimã, o freio eram os dedos, as cicatrizes, os troféus,
tudo girava tão mais colorido, igual aos peões de madeira, ou o reflexo das bolinhas de gude,
toda tarde era ensolarada,
se lá fora chovia, dentro de um pote de doces o sol resurgia.

Mas hoje tanto faz, sol ou chuva, tudo é coberto, não preciso me preocupar,
aí então que de vez em quando perco a paciência e reencontro a saudade,
e sem deixar perceber, perco a saudade e reencontro a paciência,
voltando ao ser cinza, no cotidiano das cores em decadência.