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Ederson Oliveira
Tempo
Escrito por Ederson Oliveira


“Pedi tempo”. Sem culpa ou arrependimento, se assim não fosse talvez não tivesse me tornado o que sou. Calculando, planejando, preparando. Era como colocar todas as coisas nos seus lugares antes de agir, residiu aí a questão. Nunca teremos todas as peças encaixadas nos espaços que reservamos para elas em nossa mente tão imaginativa quanto cruel, e usei grandes porções de vida, chame de tempo, com isso.

Repito, não existe remorso. Aquele velho clichê é a verdade crua: Aprendemos com os erros. Clichês, inclusive, são onde as maiores verdades do mundo moram, mesmo a gente não pensando neles com o devido cuidado. Se aprendi alguma coisa, se melhorei em algum aspecto ou deixei de fazer besteiras a partir, como posso dizer que o tempo desprendido à tal fato foi perdido¿ E o mesma não é uma grandeza escalar, daquelas que aprendemos no colégio e que podem ser medidas com exatidão. Sei que temos horas, minutos e afins, mas não me refiro a isto. Uma hora deitado num píer olhando pro céu cheio de estrelas com quem você gosta é uma fração de segundos ao ser comparada com 60 minutos em um metrô de uma grande metrópole em horário de pico. Falo disso. Tempo psicológico. Tempo que a gente sente.

Perderei anos se me parecer interessante. Vou correr com tudo para sentir a vida passar mais devagar se for conveniente. Renato Russo, gênio, foi muito preciso: “Temos nosso próprio tempo”.