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Ramon Bernardo
Filosofia Mortal
Escrito por Ramon Bernardo

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Há um raio de tristeza em mim. Por mais que tente chegar ao claro, esse raio, ele me torna ao escuro. Há dores em cima do muro. Há um morto dentro de mim. Eu queria sentir a vida de novo.

Mas por que eu preciso senti-la de novo? Sou eu um escravo? Sou. Sem dúvidas sou.

Somos todos. Esse é o atual modo de vida. A inércia moderna de seguir em frente. Conte-me o que você quiser. Cante-me, encante, minta. Use sua filosofia, toda ela. Mas no fim, você concordará comigo que essa vida tal qual segue, não passa de um ciclo simples de dor e amor, se é que sabemos a diferença entre eles.

Diga seus sonhos em voz alta, e não use eufemismo, por medo das pessoas ouvirem seus planos. Grite a verdade. Disfarce seu pleno egoísmo com os gritos.

Somos mortos. Por que viver não é isso. Vida não é seguir. Isso é existir.

Se você se sente cansado pode ser difícil acreditar que a vida recebe suas gratificações. A morte é menos dolorida.  Menos agitada. Parece, ao menos. Ledo engano. Morrer é pular de um estado de morte para outro.

A morte me atrai.

Não a morte física, orgânica. A morte salvação. A morte liberdade.

A morte que me tira deste estado de decadência, e me põe em estado de decomposição de ideias. Eu quero indagar. Derrame em mim um pouco de devastação. Mate-me em meros segundo e me deixe livre para a eternidade.

Só os verdadeiros filósofos podem assim proceder. Filosofia de verdade, não pena de morte em vida.