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Ramon Bernardo
Filosofia Mortal
Escrito por Ramon Bernardo

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Há um raio de tristeza em mim. Por mais que tente chegar ao claro, esse raio, ele me torna ao escuro. Há dores em cima do muro. Há um morto dentro de mim. Eu queria sentir a vida de novo.

Mas por que eu preciso senti-la de novo? Sou eu um escravo? Sou. Sem dúvidas sou.

Somos todos. Esse é o atual modo de vida. A inércia moderna de seguir em frente. Conte-me o que você quiser. Cante-me, encante, minta. Use sua filosofia, toda ela. Mas no fim, você concordará comigo que essa vida tal qual segue, não passa de um ciclo simples de dor e amor, se é que sabemos a diferença entre eles.

Diga seus sonhos em voz alta, e não use eufemismo, por medo das pessoas ouvirem seus planos. Grite a verdade. Disfarce seu pleno egoísmo com os gritos.

Somos mortos. Por que viver não é isso. Vida não é seguir. Isso é existir.

Se você se sente cansado pode ser difícil acreditar que a vida recebe suas gratificações. A morte é menos dolorida.  Menos agitada. Parece, ao menos. Ledo engano. Morrer é pular de um estado de morte para outro.

A morte me atrai.

Não a morte física, orgânica. A morte salvação. A morte liberdade.

A morte que me tira deste estado de decadência, e me põe em estado de decomposição de ideias. Eu quero indagar. Derrame em mim um pouco de devastação. Mate-me em meros segundo e me deixe livre para a eternidade.

Só os verdadeiros filósofos podem assim proceder. Filosofia de verdade, não pena de morte em vida.
 

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Fábio C.
Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo) vs George Orwell (1984)
Escrito por Fábio C.


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Manuella Costa Pires
"É mística, musical e espiritual"
Escrito por Manuella Costa Pires


Foto: Melvin Quaresma

Aquilo que se esconde
quando aparece, está camuflado
passa despercebido aos olhos distraídos

Seu domínio exige paciência, harmonia, vontade
Transcende lentamente, é mística, musical e espiritual

Despertar pela busca, entender que ela nunca vai ter fim
Olhar para dentro e descobrir o sentido de tudo lá fora
Perceber os defeitos, os anseios e potencializar as qualidades

Benefícios dessa energia
canalizada, transforma aqui, ali e acolá
altera os rumos
leva até para Paquetá

Revigorante como o nascer do sol
é bonita para bons apreciadores
os dispostos a acordar cedo
que vislumbram um belo espetáculo

contínuo, artístico, sensitivo, equilibrado
como resultado
paz

http://devaneiosdamanu.blogspot.com.br/

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Afonso Sauniére
Erotografomania
Escrito por Afonso Sauniére
         
         Quando eu saio assim na chuva pra caminhar, até tento te sentir nos pingos que escorrem do meu rosto. Mas parece meio inútil toda essa caminhada e pensamento que quase nunca leva a nada, exceto à uma tristeza mórbida, porém não letal. Eu volto pra casa e fico vendo da janela o céu desabar e derreter em águas que fugirão pra algum lugar. E eu lembro da chuva que a gente nunca tomou junto. Lembro da briga que a gente nunca resolveu, do disco que a gente nunca ouviu e das ruas por onde nunca caminhamos. O vento, suficiente apenas para balançar o cabelo, é demasiado pouco pra quebrar a janela e me fazer fechar os olhos. Porque se eu fecho os olhos por conta própria, meu mundo vai direto pro teu e nem sequer pensa em voltar. Na realidade, eu só queria uma notícia tua, um sinal de vida, um aval de que o tempo ainda não me apagou aí de dentro. E eu também podia confessar um milhão de coisas nessas minhas cartas. Eu podia te mostrar em desenhos e gráficos a constância do teu nome em cada pedaço do meu âmago; eu podia explicar a relação entre os meus olhos e os teus, provando por A+B que nada me é tão elétrico quanto os sons da tua voz. Eu podia confessar que te ter ao telefone é como ver o tempo parar e que, na hora de dizer adeus, o choque da realidade seguinte é doloroso. Meu dedo e o botão de desligar se repelem como se tivessem pólos iguais, mas é tudo vontade do eterno, de continuar te ouvindo. A gente tem essa mania de eterno, de querer que tudo dure mais tempo do que na realidade é pra durar. Eu...
         Eu só queria saber se teu olhar ainda se fixa no céu, se tua lembrança de mim ainda mexe em alguns nervos. Na verdade, confessar é se expor ao extremo. Sabe aquela ave que constrói um ninho enorme na árvore de galhos secos e tronco longo? Confessar é aquele ninho com os ovos expostos lá em cima aos gaviões. Mas confesso que muitas confissões são apropriadas, embora eu quase nunca saiba discernir quais são. As cartas são só confissões e minhas confissões são mais baratas que batata no camelô de centro baiano. Confesso, no entanto, que de todas as cartas que já escrevi, ainda tenho uns quatro dicionários pra te contar.
 
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Samira
Encontro
Escrito por Samira Assis

encontro

Encontrei-te na margem
Na espuma do meu café
Encontrei-te no parágrafo
No fundo do espelho
Encontrei-te sem mim
Deitado no ventre
Num outro ventre
Ou no tapete
Calado.

Encontrei-te no ensaio
Num quinteto de sopros
Cordas, martelos
Encontrei-te na cadência
A minha preferida
Encontrei-te em coisas tão minhas
Em poemas tão meus

[Amar quem não nos ama
Encontrar quem não nos encontra
Esconder a face
Mergulhar em vergonha
Em entulhos de culpa
Que vira overdose de arte]

Encontrei-te na tempestade
Esperando o táxi
Escorrendo no guarda-chuva
Fugindo de encontrar-te
Encontrei-te em meu sonho
Na minha página preferida
Na minha afinação
Encontrei-te tranquilo
Descansando no meu ódio

Encontrei-te e não queria
Naquela grande fila
Encontrei-te nos olhos do atendente
Nas mãos inexperientes
Nas cortinas do teatro

Depois encontrei-te sarcástico
Rindo do meu poema
Das mãos trêmulas
Das notas falhadas
No piano desafinado
Aplaudindo o fracasso

Encontrei-te...
No meu suspiro...
No meu amor solilóquio.


(Samira Costa de Assis) 
 

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Dani Ribeiro
A Estrangeira
Escrito por Dani Ribeiro

Uma viajante neófita
Revelou seu estado de alma
Era uma estrangeira incalculada
Distante do mundo
Perdida de si

As vozes longínquas
Inalcançáveis que são
E os bairros solitários
Foram só vontade insossa
Da mocidade desperdiçada

Esqueceram-se dela
Pobre mulher pequena
Só corpo esmiuçado
De vaga memória
Uma boniteza estragada

Ninguém se lembrou do tabaco podre
E da garrafa reutilizada
Abandonada, despiu-se da carcaça
Estrangeira que foi
Ao ir embora, desapareceu.

Sou uma estrangeira, distante do mundo, perdida de mim!
 
Dani R.F.

http://suburbanamente.blogspot.com/

 

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Fernando Feio
Concreto
Escrito por Fernando Feio

o concreto é meu braço
o concreto são minhas pernas
e minha cabeça.

A gente tem que ser resistente nessa vida
por toda a pixação, as garrafas quebradas
o vômito na madrugada e as transas na parede

O soco de raiva, as lágrimas de decepção
por tudo aquilo que eu vejo e que eu vivo
pelo que me é importante.

Por todo o asfalto que já andei sobre,
todas as faturas de cartão de crédito
que eu me mato pra pagar.

Pelos sonhos que não deixam de ser sonhos
e os fins de noite em que eu me encosto na
parede sorrindo feliz porque alguma coisa deu certo.

Por viver todas as sextas, sábados, domingos,
feriados e carnavais, porque todas as amizades e
histórias se forjam nesse processo.

Por cada enquadro, garrafada na cabeçaa e chute no saco,
cada mata leão que eu tomei e pedido de desculpa que eu já fiz.

Eu já sou parte disso, eu sou isso.
Sou cada pôr do sol e cada nascer do sol.
Por todos os mometos, sóbrios ou de embriaguez.

Pela planta improvável que cresce contra as
estatíticas num muro pintado de amarelo

Por tudo isso e o que mais for escrito de histária
nesse mar de tijolo e todo resto que não foi mencionado aqui.

O concreto
não é que seja perfeito
mas algo de bonito tem.