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Amanda
VOCÊ TÁ SUMIDA!
Escrito por Amanda


Segura o choro, segura
Segura o vômito, segura
Segura esse assédio nosso
de cada dia.

Segura essa dor, segura
essa ferida aberta ensanguentada
sem pontos, com analgésico
Segura que logo passa

A injúria da carne está bem medicada
Mas e a ebulição do ser
A angústia, dói quando toca?
Se mata, mas não faz sujeira.
Sujeira choca.

Segura, que esse choro vem
Que nem vômito
De uma só vez
Que transborda.

 

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Amanda
Lis
Escrito por Amanda


Apesar de todos os personagens que criou para si, do fake na internet, do pseudônimo, do codinome, do anonimato, do tiro e do tapa, a mesma e sempre Lis é quem dá a última palavra no jogo sujo que sua mente faz. A assustada Lis não consegue ser como o corajoso Manoel, espontânea como a autêntica Vera. É Lis demais para ser Tereza. Mas que tristeza que é ser Lis. É um poço sem fundo, escuro e frio. É criança medrosa e invejosa sem pai pra mimar. Mas queria ser tantas e tantos tão mais felizes que já pode gastar horas planejando como ia ser: quando chegasse no palco, arrancaria lágrimas de riso e gozo e também de saudade. Só que tem o mal do assombro, de ser assim como um monstro de cabeça enorme. Queria ser Danda que dorme cedo e acorda boa, mas é Lis que uiva para a Lua e descontrola sempre. A madrugada é um grito de socorro. SOCORRO! - Alguém me ensine a ser humana, estou em pedaços inalienáveis. Estou sem esperança, mas não quero morrer, me soltem dos laços que poderei me salvar ainda.

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Dani Ribeiro
Mesmice
Escrito por Dani Ribeiro
 
Cabelos ondulados levemente tingidos
Versava alguma poesia que não ousasse dizer
 
O “nó da garganta” deslizando em seus dedos
À espera do dito que a ela foi negado
 
O passo e a sandália abotinada nos pés
As unhas refeitas para serem esquecidas
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
Criando o seu tempo de trás para frente
 
A noite presente na ausência de corpo
O vício sustentado pela cobiça de fuga
 
Os trajes despidos, a carne branca e nua
O desejo contido em toques de mão fria
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
manipulando o seu tempo de trás para frente
 
 
Dani R.F.
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Amanda
Caderno de Poesias
Escrito por Amanda

No meu caderninho de poesias
eu era triste pra valer.
Vinham passarinhos e mariposas
Resgatar meus versos.

Eu escondia
Mas alguém sempre achava
Meu caderno de poesia,
ora me doía
ora me salvava.

Ainda hoje quero escrever
Do que sinto e
Não posso conter.

Meu caderno de poesias,
descobri na gaveta
Junto dos pincéis, tintas
CD's e toda a tralha
que eu deveria consultar mais vezes
Quando estiver em apuros.

No meu caderninho de poesias

eu era triste pra valer.

Vinham passarinhos e mariposas

Resgatar meus versos.

 

Eu escondia

Mas alguém sempre achava

Meu caderno de poesia,

ora me doía

ora me salvava.

 

Ainda hoje quero escrever

Do que sinto e

Não posso conter.

 

Meu caderno de poesias,

descobri na gaveta

Junto dos pincéis, tintas

CDs e toda a tralha

que eu deveria consultar mais vezes

Quando estiver em apuros.

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Ederson Oliveira
A vida é sobre não estar imune
Escrito por Ederson Oliveira
 
Ninguém está imune de, em uma quarta-feira nublada de dezembro, achar alguém que torne seus dias mais leves e cheios de borboletas (que a essa altura já saíram do estômago e estão voando por aí). Depois disso, a relatividade do tempo fica tão evidente quanto seu sorriso bobo lendo mensagens no meio da tarde. Horas, meu amigo, podem ser uma intragável eternidade e minutos podem durar um século inteiro. Ele, o tempo, só reflete a velocidade do que a gente está sentindo, ora congelado pálido e ora mais apressado que a luz. Uma vez eu li que as coisas mais legais acontecem quando a gente está distraído, sem procurar, sem grandes expectativas. E fazendo uma rápida retrospectiva é muito fácil perceber que o que a gente tem de mais valioso hoje vieram de encontros casuais, de lugares comuns, sem nada de premeditado ou esperado por semanas. A vida tem esse capricho, de dar quando a gente não espera receber. Então, não menospreze o poder das quartas-feiras nubladas de dezembro e muito menos da gentileza que o universo é capaz de prover...

Ninguém está imune, entretanto, de, em um sábado chuvoso de março, deixar ir alguém que já não estava de verdade há tempos. É a ampulheta do tempo virando, e a gente com ela. As tais borboletas já foram sobrevoar outros lugares e a chuva de fora não é nem um pouco comparável ao dilúvio de dentro. É como se aquilo que começou naquela tarde de dezembro não apenas tivesse apenas se iniciado naquele momento, mas tivesse começado a acabar a partir de lá. “A gente começa e já começa a terminar”, porque o universo tende ao caos e a gente não seria diferente.

Não duvide da imprevisibilidade dos dias despretensiosos, não ache que a gentilezas vão durar para sempre e, sobretudo, nunca pense que outras tantas ainda não virão. Porque a vida, amigo, é sobre não estar imune.

 

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Amanda
Dentro
Escrito por Amanda

Eu quero me lembrar da tarde e
suas viagens nesse dia lindo.
O gosto bom do beijo, que de
qualquer jeito, chegará em mim.
Na atmosfera do teu sorriso cabe
o meu viver, a minha casa, o meu prazer,
as minhas crises, tudo aquilo que,
enfim, não posso compreender.
Sei do lado mais discreto, mais profundo
há segredos pendurados em quadros
neste quarto.
E também sei que nessa porta não se bate,
entra em silêncio.
De quem contempla a vastidão do teu espírito e
agradece por poder entrar, conhecer
coisa que não se vê por ai.
Às três e meia, em meio aos pombos
bancos da praça.
 
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Amanda
Emancipação
Escrito por Amanda


Acho melhor estar dentro do mar
numa canoa, um barco a remo,
o céu azul
mais azul que o mar.
Acho que o mar, o meio do mato
O céu e as estrelas
são certezas que
sempre estarão lá.
Acho que o mato, o meio do mar
é o silêncio que não acho mais em mim, assim,
Na vida
Onde eu vim parar.
Vejo na sombra projetada na calçada
Nas conversas que traço sem pensar
Vejo nos momentos de solitude
Nas mesas de bar.
Vejo no espelho
meus roteiros emocionais.
Eu vejo nos laços e nós,
Na convivência, na experiência
a consciência a gritar. Ouço ruídos, grito
Fico perdida.
A cidade quer me matar.
Acho melhor plantar meu alimento,
no meio do mato habitar,
incorporar o silêncio das árvores,
estado de mato entrar.
Onde a cidade não possa mais nos alcançar.
Um lugar de vida simples,
Café da tarde e o silêncio que me espera
em algum lugar do meu ser.
Por detrás dos meus roteiros, expectativas
capitalistas, apego não mais-valia.
Pra curar a cidade, só indo pro mato.
Vou ser guardiã da simplicidade,
Contar em cantigas, histórias, poesias,
Todas as formas de expressar, sinergia,
Fotografar silêncios assim que reencontrá-los.
Alguéns precisam guardar os saberes
Meu espírito de luta é o curador
Não na porta da fábrica, mas
sabendo escutar sua dor.

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Fernando Feio
Autocrítica de Ressaca
Escrito por Nego Rockhard


Cuspo sangue ao atravessar a rua.

Mais um manhã em pé e caminhando contra 
a própria vontade. Outro assistente inofensivo, 
brincando de querer ser milionário, jogando tempo
e saúde mental no lixo em troca de um atestado
de fodido todo quinto dia útil do mês, assinado 
por um gordo depravado de meia idade qualquer
que lota as filas das casas de swing e puteiros.

Cuspo sangue quando vou mijar.

E o embrulho no estômago me dá alguns segundos
de arrependimento das inúmeras doses destiladas
que preenchem as minhas madrugadas solitárias em
pistas de dança e áreas de fumantes nos finais de semana.

Cuspo sangue no copo d'água, num icônico brinde
a todos os papéis de bêbado otário que eu tenho
interpretado nos últimos meses. Me desculpando
com seguranças e gerentes e cumprimentando 
filhos da puta que nunca foram com a minha cara e
que dão aquele sorriso de merda de quem vai tentar 
roubar a sua garota assim que você virar as costas.

Cuspo sangue na privada enquanto sou colocado 
de joelhos pela ânsia e a tontura e a baixa pressão 
sanguínea dignos da ressaca de um ditador, que se
curva diante do resultado ingrato da vã perseguição 
das suas obsessões infantis.

Descem descarga abaixo toda a esperança que um 
recém embriagado pode ter. Junto com todas as 
bitucas dos cigarros que insistem em fisgar minutos 
provavelmente não preciosos da sua vida.

Junto com todas as mulheres-explosões-estelares
que iluminaram por breves momentos sua tragicômica
existência e depois desapareceram de forma lógica 
na equação medrosa criada por ele mesmo cuja única 
função é afastar qualquer uma que se aproxime
suficientemente pra ver o garoto inseguro atrás da 
nuvem de piadas ruins e histórias inventadas.

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Viviane Peter Casser
Apetite
Escrito por Vivi


espera
Ele Diz
Eu Ardo
Queimo
Sou, Cinzas
Destroços
Eu Volto
Busco-Te
Sorvo-Te
Inteira
Ele, não Vem
Eu, Volúpia, Completa
Inteira

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Ramon Bernardo
Musicalizar-se
Escrito por Ramon Bernardo

Esquece-te um pouco as dores,
Arrisca os acordes de DÓ!
Se te é preciso, voltar em macha-ré
Não esquece-te de MÍ
 
Há sempre um FÁ, um fazer que me agrada.
E se te falta luz,
Se inspira no SOL
Que nada cobras, mas ilumina a todos.
 
Encontra no LÁ o teu lar,
E repousas SÍ estiver muito cansado da vida.
 
Enbarque no Buarque,
Usa e abusa, de Cazuza.
Mas não te esqueces, que música
Ah, musica é um sofisticado respirar.