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Manoelle
Angustiamor


Ele dizia que as chagas haviam se fechado

E que as injúrias haviam sido superadas
Dizia que somente as mãos dela tocavam as suas
E que seus cabelos eram os únicos que se mantinham presos
no travesseiro dele pela manhã.
Ele dizia que a pele dela era a única coberta que aquecia
seu corpo no frio
E que seus olhos eram as únicas lâmpadas que ele acendia
nas noites em que a escuridão se fazia sombria.

E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.

Ele dizia que a cintura dela era a única silhueta de barro
moldada por suas mãos de oleiro
E que os seios dela eram seu único regaço
E que as unhas dela eram as únicas garras que marcavam seu corpo.

E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.

Ele dizia que quando não voltava depois da aurora
era porque estava desenhando seu rosto na areia da praia
E que quando a mandava fazer silêncio,
Era para que pudesse admirar mais facilmente as nuances de sua beleza.
Ele dizia que quando puxava seus cabelos, era para que
pudesse beijar seu longo colo com mais afinco.

E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.

Ele dizia que quando comprimia seu braço, era para que
pudesse trazê-la ao seu peito com mais rapidez
E que as marcas que permaneciam,
Eram marcas de amor.
Ele dizia que a pressão dolorosa que ela sentia nas faces de seu rosto
não eram bofetadas,
Eram o sopro de suas mãos masculinas no seu rosto feminino,
Para que ela sentisse suas indignações e a proporção de seu amor desenfreado.

E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.

Ele dizia que a sombra roxa nos olhos dela eram apenas rastros dos momentos insensatos
de seu amor doentio
E que sua falta de dentes era um pedido de que aquele amor permanecesse em segredo sacramentado,
Apenas entre eles dois.
Ele dizia que a amava.

E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.


(Manoelle D'França)

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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER É CRIME! DENUNCIE!
 
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Manoelle
Tenho nada, mas tanto tenho


Tenho pensado na vida,

Tenho dormido o sono de um mocho.

Tenho sentido saudades e agonia,

Tenho sentido dores:

Dores da mente, dores da alma, dores do corpo doente de saudades.

Tenho esperado por quem não me possui.

Tenho me alimentado do meu desgosto.

Tenho sentido as cicatrizes com as quais a vida vem me presenteando.

Tenho chorado sangue,

Tenho sangrado amor.

Tenho censurado minhas duas faces:

'Uma para o mundo e outra para que dele Deus me salve';

Tenho-as escondidas de mim mesma,

Tenho-as escondidas de outras faces,

De outros olhares.

Tenho erguido muralhas de desconfiança,

Tenho dilacerado meu próprio coração.

Tenho respirado ódio pela fadiga de estupidez.

Tenho passeado pelas areias da morte,

Tenho nadado para perecer nesta praia negra.

(Manoelle D'França)

http://maphago.blogspot.com/

 
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Manoelle
Quem seria?

(Imagem de deviantart.com)

Eu sou sentido por todos,
Evitado por muitos.
Estou sempre aqui,
Com um objetivo por cumprir.

Tristeza que bate,
Luz da lua que invade,
Ilumina os cantos escuros da casa,
Cobre de luz minha felicidade rasa.
Coração vazio,
Pelo corpo um frio;
Ouço chamados ao luar,
Chamados de uma voz familiar.
Voz que me convida ao relento
E em seu tom, sinto o teu corpo sedento.

Eu me declaro, eu me exponho,
Eu te conquisto, eu te proponho
Uma noite sem fim,
Uma vida de eternidade,
O inquietante prazer de viver um amor de verdade.

Eu sou o que muitos dizem que não acreditam,
Eu sou o que todos um dia dirão que já sentiram,
Eu sou o mais forte dos sentimentos que vivos permaneceram,
Eu sou o mais estúpido dos sentimentos que para muitos pereceram.
Eu sou a coisa mais pura, mais agressiva,
Mais bela, mais corrosiva;
Mais absoluta, mais incompleta.
A coisa mais confusa, mais direta,
Que mais causa dor, que mais causa clamor.
Eu sou aquele que chamam de AMOR.

(Manoelle D'França)

 
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